sábado, 13 de abril de 2013

Eliana Silva: exemplo de vida e de luta para todos

Após quatro anos da morte de Eliana Silvafamílias da Ocupação que recebeu seu nome e o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) de Minas Gerais fazem homenagem em memória ao exemplo de vida e de luta de uma de suas mais destacadas militantes populares e socialistas.

Eliana Silva de Jesus nasceu em 03 de novembro de 1964 e foi uma grande militante do movimento social. Sua militância política teve inicio durante sua juventude no movimento estudantil secundarista mineiro, ainda na década de 80, nas lutas pelo fim da ditadura militar fascista e nas campanhas de democratização no Brasil. No movimento estudantil participou ativamente da reorganização da União Colegial de Minas Gerais - UCMG (1989), dos congressos da UBES e das intensas lutas pelo Meio Passe e pela conquista da meia-entrada (1992). Apoiou a organização do movimento sindical, atuando em várias greves e eleições de sindicatos e categorias importantes, como da Construção Civil, dos Metalúrgicos e dos Rodoviários. Participou das lutas populares que aconteceram no Brasil nesse período, como, por exemplo, da luta contra as reformas neoliberais de Collor de Mello, Itamar Franco e FHC, em especial, contra as privatizações das empresas estatais.
Em 1995, quando ocorreu a cisão do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR8, Eliana Silva não vacilou em se juntar ao numeroso grupo de companheiros que decidiram reorganizar o Partido Comunista Revolucionário – PCR, do qual foi militante até sua morte.
Eliana Silva foi uma dedicada militante comunista, que tinha entre outras características, a simplicidade e a sensibilidade capazes de compreender e lidar com os problemas vividos pelo ser humano. Por isso colocou sua vida à disposição de todos os seus semelhantes, dedicando sua vida e seu tempo a ajudá-los e organizá-los coletivamente.
Muitas lutas e conquistas na Vila Corumbiara
Em março de 1996, participa da organização de uma das maiores e mais combativas ocupações urbanas do paísa Ocupação da Vila Corumbiara, na região do Barreiro, em Belo Horizonte, sendo uma das principais lideranças desse movimento, resistindo as ameaças do cerco policial e ao descaso e ordens de despejo do prefeito Patrus Ananias diante do problema das famílias de ocupantesNaqueles anos não existiam programas de construção de casa populares, como hoje existe o Minha Casa, Minha Vida. Tudo precisava ser conquistado com intensas lutas. E como presidente da Associação dos Moradores, Eliana foi protagonista direta dessas lutas em Belo Horizonte. Da união e da resistência dos moradores, a Vila Corumbiara cresceu, se desenvolveu e transformou-se num bairro. Todos os direitos conquistados pelas famílias da Vila foram fruto de muitas lutas, muitas passeatas, manifestações e ocupações da sede Regional da Prefeitura, no Barreiro. Com essas lutas foi possível conquistar transporte escolar, linha de ônibus do bairro até a Estação, asfalto, coleta de lixo, iluminação pública, rede de água e esgoto na comunidade. Lutou até os últimos dias de sua vida pelo direito ao título de posse de suas casas, conquista que só foi obtida pela comunidade apenas após sua morte. A situação da moradia popular está cada vez pior em BH e, passados 17 anos desde a ocupação da Vila Corumbiara, pouca coisa mudou.

Em um depoimento emocionado Joana do Espirito Santo, moradora da Vila Corumbiara  17 anos, vive no local desde o inicio daquela ocupação, disse sobre sua convivência com Eliana: Uma pessoa que se preocupava não só com ela, com a família dela, mas com todos. Não deixava nada passar em branco, conseguia carro de som, lutava com o povo, fazia aniversário da ocupação da Vila. A casa dela era um verdadeiro escritório, onde fazia os jornais e reunia as pessoas. Passava nas casas convidando os moradores e logo assumiu a Associação dos Moradores. Era uma pessoa que reunia e aconselhava as famílias. Cuidava dos filhos dos outros como se fossem dela e mesmo quando ficou doente não parava quieta e lutava com agente.” 

No ano de 1999, juntamente com companheiros de diversos estados do Brasil participa da organização e do Congresso de fundação do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB - realizado em Belo Horizonte e integra sua coordenação nacional.

Ao descobrir um câncer de mama, imediatamente inciou um duro e difícil tratamento. Foram alguns anos de luta contra a doença e apesar de ter encarado mais esse desafio com a mesma disposição e energia de sempre, infelizmente não conseguiu vencer, vindo a falecer no dia 22 de janeiro de 2009. Apesar da tristeza com a perda de Eliana os moradores da Vila Corumbiara continuaram na luta e reelegeram uma nova presidente para a Associação de Moradores, que dá continuidade ao trabalho pelas melhorias na comunidade.

Em abril de 2012, durante a assembleia das famílias que acabavam de realizar uma nova ocupação em Belo Horizonte, foi decidido por unanimidade prestar uma justa homenagem a essa lutadora revolucionária, batizando o local com o nome de Eliana Silva. Em poucos dias, o seu nome estava sendo anunciado em todos os principais jornais, rádios e redes de TV de Minas Gerias e do Brasil, tamanha a repercussão que teve a ocupação, se destacando como uma das principais ocupações urbanas do país no ano de 2012. As famílias da ocupação, mesmo que em grande parte não a tenham conhecido, seguem a luta e seu exemplo de vida.

Após quatro anos de sua morte o MLB de Minas Gerais e a Ocupação Eliana Silva fazem uma homenagem à Eliana Silva, mantendo viva não apenas a luta do povo pobre, mas a luta revolucionária por profundas transformações sociais, pelo fim do injusto sistema capitalista e pelo socialismo.

Em março de 2013, a Ocupação da Vila Corumbiara completa 17 anos de muitas lutas e conquistas, sendo um exemplo de como deve se organizar uma ocupação urbana em qualquer parte do Brasil. A Vila Corumbiara conquistas inéditas, que até então nenhuma outra ocupação urbana janais havia conquistado em BH, como transporte escolar, saneamento básico, luz e água para todos, transporte do bairro até a Estação Barreiro e, principalmente, o Título de Posse das moradias, que só foi entregue pela Prefeitura em 2010, um após a morte de Eliana. Uma vitória do MLB e de todos aqueles que lutam pela moradia popular.

A seguir publicamos uma parte do texto escrito pela própria Eliana Silva, dias antes de sua morte, em que deixa uma mensagem de otimismo e fé na vida a todos os seus companheiros de lutas do Partido Comunista Revolucionário (PCR), do MLB e da Vila Corumbiara.

"VivaBom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadiaPorque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é "muito" para ser insignificante. Não há nada como um dia após o outro para renovarmos nossas forças, a prece não traz soluções milagrosas aos nossos problemas, mas nos dá a paz, serenidade, compreensão e fortalece-nos, então somos capazes de encontrar os melhores caminhos. Se Deus resolvesse os nossos problemas que mérito teríamos? Aprenderíamos com eles? E tudo quanto a vida nos apresenta vem para nos ensinar a sermos melhores. Somos capazes de amar e amar é uma forma de viver...Somos viajantes que escolhemos nossas estradas conforme nossa inteligência e vontade. Respeitar a escolha alheia, mais do que alertar e mostrar pelos próprios passos a estrada por nós escolhida, não é possível fazer a nossa fronteira. A verdade libertadora é aquela que conhecemos na atividade incessante do bem.” - Eliana Silva de Jesus.

Leonardo Pericles - Coordenação Nacional do MLB

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dona Eudi Costa: “Nós também podemos!”


Fonte: A VERDADE

Após um ano de organização, mobilização e resistência, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) comemora cinco meses de ocupação da comunidade Eliana Silva, na Capital mineira. São diversos trabalhadores e trabalhadoras combativos e conscientes de seus direitos, que servem de exemplo e municiam com esperança o conjunto dos movimentos populares, mostrando do que a força da classe trabalhadora é capaz de fazer.
Um desses exemplos é Eudi Dias Costa, que completou 55 anos de idade dentro da ocupação. Dona Eudi frequenta as reuniões do Movimento de Mulheres Olga Benario e conta, nesta entrevista a A Verdade, um pouco de sua história e das lições aprendidas na vida.
A Verdade – Como foi a sua infância?
Eudi Costa – Eu não tive infância, só trabalho. Eu tomava conta das crianças, enquanto minha mãe ia para a roça. Então eu não estudei por causa disso. Vim para Belo Horizonte nova. Fui trabalhar para ajudar minha mãe. Todo mês, eu mandava dinheiro para minha mãe e meu pai. Vivi com eles até os 17 anos. Vim me casar “depois de idade”. Eu vim sozinha pra cá. Uma dona me trouxe para trabalhar com ela e trabalhei nessa casa durante 13 anos. Aí eu encontrei o William, aqui em Belo Horizonte, e fui morar com ele. Ganhei o primeiro filho, que morreu, depois engravidei de Ludmila, tudo depois de idade. Depois dos 30 anos que vim arrumar filho.
E sua vida em Belo Horizonte?
Morava aqui em Belo Horizonte com William e fomos pro interior, em Santo Antônio do Jacinto. Lá eu lavava roupa pros outros para eu criar minhas filhas. Era dez reais a trouxona. Ia pro rio lavar na cachoeira, lavar roupa e passar roupa pros outros, e também fazia faxina. Pra lavar um monte de roupa. É 50 reais pra lavar roupa um mês inteiro pra uma pessoa. Eu lavava roupa de família rica, pros fazendeiros. Tinha vez que lavava pra outras pessoas mais pobres e eles me davam feijão, me davam arroz, me davam tudo. Não me davam dinheiro, mas me davam as coisas, mantimentos pra levar lá pra casa. Eu lavava tudo na mão e botava pra secar no rio, nas pedras.
E o que seu marido fazia?
O William é daqui. Quando chegou lá, não tinha emprego. Ele limpava quintal, lavava carro, pegava lenha pra vender pro pessoal fazer pão, fazer biscoito. Trazia, vendia e já trazia as coisas pra gente comer. A nossa vida era assim.
A senhora tinha sua casa no interior?
Nunca tive casa. Lá a casa era do meu irmão. Em Belo Horizonte morava com uma senhora que eu trabalhava com ela.
Como conheceu o MLB?
Um dia, eu conheci Sabrina (do MLB). Ela ia passando na rua, com carro de som, chamando pra reunião. Aí o William pegou um papelzinho e falou: “dia de sábado a gente vai pra essa reunião”. E aí faz um ano que estamos aqui nessa luta! Fui em Brasília com eles, e hoje nós estamos aqui na ocupação, mesmo que na primeira tentativa nos despejaram.
E como foi depois do despejo?
Tornei a voltar pro mesmo aluguel porque, na primeira ocupação, as meninas estudavam. Aí nós ficamos na ocupação, e o William continuava pagando o aluguel e as meninas ficavam lá. Aí nos despejaram. Voltei a participar das reuniões de novo, de tudo que tinha.
E hoje a senhora vive aqui?
Só aqui, eu moro só aqui, eu não vou a lugar nenhum, faço tudo aqui dentro. Nem na padaria eu vou. E mudou tudo. Até hoje, minha filha Ludmila vai até ali pegar um “marmitex” pra nós. Que nós nunca tínhamos comprado um “marmitex” na rua. Nosso dinheiro era só para pagar aluguel e comprar o remédio que eu tomo. Muitos remédios e caros. Tem um que eu tomo de seis em seis meses e custa R$ 100. E lá pagávamos água muito cara. Então não sobrava dinheiro pra nada.
O que acha da organização do movimento?
É bom demais. É importante pra nós, as reuniões, e agora tô querendo fazer alguma coisa pra gente trabalhar, ganhar um dinheiro, trabalhar para organizar essas mulheres, as meninas novas. Fazer curso pra elas e estudar, porque eu não tenho leitura nenhuma, eu não sei nem assinar o meu nome.
A senhora quer estudar aqui dentro?
Eu quero estudar aqui. Mostrar lá fora que a gente pode. Eu nunca… [emocionada], eu até choro. Eu nunca estudei na minha vida. Nunca, nunca. Nem sei por que. Eu cuidava de todos os irmãos, mas eu ia em todas as reuniões. Tinha reunião de tudo, tinha curso de comida, e eu participava de tudo. Tinha curso para trabalhar e fazer horta. Lá no interior também tinha! E eu participava de tudo do movimento. Quero estudar mais e ajudar mais as pessoas aqui também. Ninguém estudou lá em casa, a minha mãe tem leitura, ela sabe ler, mas eu não sei. Acho importante pra ensinar as pessoas lá fora que nós também podemos. Que nós temos condições de fazer as coisas aqui dentro. Todo mundo lá fora tem as coisas, não tem? Nós também podemos ter aqui dentro.
Raphaella Mendes,
Movimento de Mulheres Olga Benario

domingo, 7 de abril de 2013

Verticalização faz capital mineira passar de cidade jardim a selva de pedra

Cidade onde a expansão urbana chegou ao ápice, Belo Horizonte continua a entregar à construção civil seus últimos remanescentes de áreas verdes. Apenas neste ano, foram anunciados três grandes empreendimentos imobiliários em terrenos constituídos de matas – alguns com árvores protegidas por lei, como ipês e pequizeiros. Especialistas culpam a falta de planejamento e o desrespeito às diretrizes urbanas da cidade para a verticali-zação desenfreada.

No segundo semestre, o cidadão da capital terá mais uma chance de definir os rumos da ocupação da capital. Realizada de quatro em quatro anos, a Conferência Municipal de Políticas Urbanas discutirá amplamente a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo. Representantes do poder público e da sociedade definirão formas de utilização de lotes urbanos, apresentando parâmetros urbanísticos.

Na última edição, em 2009, vários acordos voltados para zoneamento, regularização de imóveis e espaço público foram firmados com o objetivo de preservar as áreas verdes. No entanto, a direção do Movimento das Associações de Moradores de Belo Horizonte (MAMBH), entidade que congrega representantes de mais de 200 bairros, afirma que a prefeitura vem descumprindo os acordos. “Na Pampulha, principalmente no entorno da orla, foi proibida a verticalização, mas hotéis estão sendo erguidos na região”, exemplifica o presidente da entidade, Fernando Santana.

Requalificação

Além disso, Santana afirma que o poder público, vinculado a interesses políticos, vem requalificando as Áreas de Diretrizes Especiais (ADEs), visando atender somente ao setor empresarial. “Vários bairros caracteristicamente residenciais estão sendo transformados em áreas mistas, permitindo a instalação de empreendimentos de grande impacto para a vizinhança, como shoppings, hipermercados e motéis”.

O desenvolvimento, diz Santana, é necessário, desde que para todos e estimulado de forma sustentável e ética. “A destruição indiscriminada do verde é desumana e desnecessária”, destaca o advogado Wilson Campos, assessor Jurídico do MAMBH.

Fonte: Fernando Zuba - HOJE EM DIA
Foto: Frderico Haikal

Debate PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA

Participe do debate "PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA" em memória a todos os revolucionários assassinados nos porões da Ditadura Militar fascista, que oprimiu o povo brasileiro durante 21 anos.
Dia 9 de Março - Terça-feira - 18h30
Local: AFFEMG - Rua Sergipe, 393 - 2º andar - próximo à Praça da Liberdade

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Por que é tão difícil viabilizar terrenos e imóveis públicos para moradia social?


Por Raquel Rolnik*
No último domingo, o jornal O Globo publicou uma matéria mostrando que o INSS é proprietário de quase 4 mil imóveis, espalhados em todo o país, sem nenhum uso. Desde 2005, pelo menos, o Ministério das Cidades vem buscando estabelecer políticas que viabilizem o uso de imóveis públicos, entre eles os de propriedade do INSS, para produção de habitação de interesse social.
Aliás, em 2009 o governo federal anunciou publicamente a intenção de disponibilizar esses imóveis para o programa Minha Casa Minha Vida. Para se ter uma ideia, além dos 4 mil imóveis do INSS, existem cerca de 400 mil imóveis da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), além de outros milhares de terrenos da União. Foram inúmeros convênios e muitas idas e vindas entre o Ministério das Cidades, o Ministério da Previdência Social e a Secretaria do Patrimônio da União. Entretanto, até agora, mesmo com esses milhares de imóveis existentes, pouco foi feito. E o que foi “viabilizado”, na prática ainda não saiu do papel.
É o caso de 27 imóveis do INSS, adquiridos no início de 2010, por R$ 20 milhões, para serem reformados no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida. Segundo a reportagem de O Globo, o Ministério das Cidades diz que desses 27 imóveis, “três estão em fase de regularização cartorial; cinco, em processo de elaboração ou aprovação de projetos; seis, em processo de chamamento de empresas para execução de projetos e obras; e nove, em fase final para contratação das obras”. Ou seja, são 23 imóveis ainda parados, 12 deles em São Paulo.
Há muitos exemplos de áreas públicas no país que poderiam ter sido utilizadas para habitação de interesse social, mas tiveram outro destino. É o caso de um terreno da RFFSA no cais José Estelita, no Recife, que foi comprado pela iniciativa privada para a construção de torres residenciais e comerciais (projeto Novo Recife), um projeto altamente contestado pela população local. Outro exemplo é o projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, onde enormes áreas públicas vão dar lugar a torres clone de Trump Towers. Enquanto isso, os movimentos de moradia lutam há mais de dez anos para que um imóvel do INSS abandonado em São Paulo seja usado para habitação social.
O fato é que a máquina do governo brasileiro é montada para não permitir o cumprimento da função socioambiental da propriedade, inclusive quando se trata de patrimônio público. Essa questão não diz respeito apenas ao INSS, mas também a terrenos da RFFSA, do patrimônio da União, entre outros. Apesar de serem reconhecidamente áreas privilegiadas para a construção de habitação de interesse social – já que é difícil encontrar terreno privado bem localizado para esse fim –, as dificuldades para tornar isso realidade são de fato enormes. Isso porque a legislação que rege o patrimônio público está construída para que estes apresentem a maior rentabilidade econômica possível – sob pena de os responsáveis por sua gestão serem acusados de lesar o patrimônio. Assim, as regras foram montadas para que o patrimônio público não possa ser utilizado em funções pouco rentáveis ou lucrativas, como é o caso de habitação de interesse social.
Em tempo: o Uruguai, nosso vizinho, constituiu um enorme banco de terras e imóveis públicos de suporte para a produção de habitação de interesse social por cooperativas.
Raquel Rolnik é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Eu apoio Frei Gilvander


Prefeitura de BH promove mais um ato de covardia


dia 02/04/2013, terça-feira, foi marcado por mais um ato de violência e desrespeito aos direitos humanos por parte Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Por volta das 8h da manhã, cerca de 40 policias militares junto com fiscais da Prefeitura, sem ordem judicial, iniciaram uma desocupação na Vila Horta II, que fica ao lado da comunidade Vila Irmã Dorothy, na região do Barreiro, na capital mineira.
Com o uso de um trator foram demolidos três barracos de alvenaria que já estavam quase prontos, deixando as famílias na rua sem viabilizar nenhum lugar para que elas pudessem ir. Houve muita tensão no local com a chegada do Batalhão de Choque. As famílias temiam o pior. Um representante da fiscalização da PBH deixou uma notificação em alguns barracos dando 30 dias para que as famílias se retirassem, afirmou também que retornará nos dias seguintes para dar continuidade à demoliçãos das casas. Algumas famílias já moram no local a mais de 10 anos. A indignação é total e as famílias prometem resistir.

Moradores das comunidades vizinhas, como Camilo Torres, Eliana Silva e Irmã Dorothy (ocupações populares que resistem e lutam por moradia digna na região do Barreiro) também prestaram solidariedade indo até o local para defender as famílias. Com a intensa movimentação e os protestos que se seguiram, a PM e os fiscais da PBH se retiraram do local, apesar do forte aparato repressivo. Um governo e uma prefeitura que propagam com suas publicidades milionárias serem competentes, modernos e eficientes. Os trabalhadores, a juventude e povo de BH desconhecem essas qualidades, já que no dia a dia arealidade é bem diferentes.

Essa continua sendo a política da Prefeitura: destruir a casa de famílias humildes e pobres. Uma política antisocial, de "higienização da cidade", transformando os pobres em seus alvos, enquanto que as empreiteiras fazem tudo com o total aval da administração municipal e do governo estadual, lucrando milhões através de uma desastrosa especulação imobiliária e às custas do sacrifício e do sofrimento de milhões de pessoas. Até agora a Prefeitura não apresentou nenhuma solução para o grave problema habitacional de Belo Horizonte, e o pior, nem sequer o tão falado Programa Minha Casa, Minha Vida existe na cidade. Essa é a prova do total descaso do Prefeito Márcio Lacerda e do governador Antônio Anastasia que, ao lado de Aécio Neves, tratam os problemas e as reivindicações o do povo de Minas Gerais debaixo de um forte aparato repressivo. Por isso, não resta lutar e se organizar para mudar 

Essas fotos fazem referência ao despejo ilegal realizado pela Prefeitura de BH no dia 02/04 (ontem) com demolição de casas de alvenaria de famílias de baixa renda na região do Barreiro. Essa ação foi realizada derrepente, sem decisão judicial. A prefeitura de BH acompanhada da Polícia Militar e de um trator, demoliu 3 casas de alvenaria e não demoliu outras casas porque o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB, juntamente com centenas de moradores da Ocupação Eliana Silva, chegaram e impediram o pior.


Abaixo o fascismo da prefeitura de BH!
Fora Márcio Lacerda!
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas  MLB


     






Fotos denunciam despejo ilegal promovido pela PBH

Essas fotos fazem referência ao despejo ilegal realizado pela Prefeitura de BH no dia 02/04 (ontem) com demolição de casas de alvenaria de famílias de baixa renda na região do Barreiro. Essa ação foi realizada derrepente, sem decisão judicial. A prefeitura de BH acompanhada da Polícia Militar e de um trator, demoliu 3 casas de alvenaria e não demoliu outras casas porque o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB, juntamente com centenas de moradores da Ocupação Eliana Silva, chegaram e impediram o pior.

Abaixo o fascismo da prefeitura de BH!
Fora Márcio Lacerda!












terça-feira, 2 de abril de 2013

Prefeitura de BH realiza despejo ilegal



Hoje dia 02/04/2013, por volta das 8hrs da manhã, cerca de 40 policias militares junto com fiscais da prefeitura de Belo Horizonte, sem ordem judicial, iniciaram uma desocupação na Vila Horta II que  fica ao lado da vila Irmã Dorothy, na região do Barreiro em Belo Horizonte.

Com a ajuda de um trator foram demolidos três barracos de alvenaria que já estavam quase prontos, deixando essas famílias na rua sem viabilizar nenhum lugar para que elas pudessem ir. Houve muita tensão no local com a chegada do batalhão de choque. As famílias temiam o pior. Um representante da fiscalização da prefeitura deixou uma notificação em alguns barracos dando 30 dias para que as famílias se retirassem, afirmou também que retornará amanhã para continuar fazendo demolições de barracos em construção. Algumas famílias já moram no local a mais de 10 anos. Todas as famílias estão dispostas a resistir.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Nota do MLB de apoio a ocupação Guarani Kaiowá


Organizada pelas Brigadas Populares no início de março de 2013 a Ocupação Guarani Kaiowá, está localizada no bairro Ressaca, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O terreno estava abandonado há mais de 30 anos e a empresa que se diz dona do terrenos tem enorme divida com o pagamento de impostos ao município.
Esta importante ocupação faz parte da luta dos mais de 7 milhões de famílias sem teto, que por terem renda de 0 a 3 salários mínimos não conseguem comprar uma casa, se quer um lote para morar. Ocupações como estas acontecem também devido a insuficiência de programas habitacionais (por parte da prefeitura, governos do estado e federal) que possam atender a enorme demanda por moradia.
Nesse sentido, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB se solidariza e apoia a luta das famílias da Ocupação Guarani Kaiowá, enquanto em nosso país morar ainda for um privilégio, a ocupação de terrenos abandonados e que não cumprem sua função social sempre será um direito. 
Essa ocupação é mais uma das centenas de ocupações que acontecem em todo país e que são parte da grande luta do povo pobre e trabalhador pela Reforma Urbana em nosso país.
Viva a Ocupação Guarani Kaiowá/BP’s!
Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!
Contagem, 11/03/2013

Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – MLB

domingo, 10 de março de 2013

Ato faz homenagem ao dia das mulheres na Comunidade Eliana Silva

Neste domingo, dia 10 de março de 2013, foi realizado pela manhã, na ocupação Eliana Silva, um ato político em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras. Foi organizada uma mesa onde participaram Dirlene Marques (Professora aposentada da UFMG) e integrante do Fórum Social Mineiro, Maria da Consolação – PSOL, Natalia Alves – PCR, Poliana Souza – Ocupação Eliana Silva e do MLB, Raphaella Mendes – Movimento de Mulheres Olga Benário e Gabi Santos - Movimento Fora Lacerda.

O ato destacou a luta das mulheres por seus direitos, em especial, a luta contra a violência. Destaque especial teve o trabalho de reforma da creche “Tia Carminha” que funciona dentro da ocupação Eliana Silva. A luta pela Creche em todos os locais é das bandeiras de vários movimentos de mulheres, já que a responsabilidade pela educação e criação das crianças recai sobre os ombros das mulheres, em sua dupla e até tripla jornada. Por isso uma das mais sentidas reivindicações é a de Creche Comunitária. Como a Comunidade Eliana Silva é um local em que se encontram em sua imensa maioria mulheres como chefes de famílias, essa é uma das prioridades da Coordenação da Ocupação e do MLB, que vem desenvolvendo um intenso trabalho de construção e preparação da Creche, onde também será ministrado cursos profissionais e também a educação de jovens e adutos e de alfabetização.

Após o ato, foi feito um gostoso café da manhã com uma bela mesa com muitos doces, sucos, frutas, pães, bolos, café e muitas delícias, além de um amoço em homenagem às mulheres lutadoras.

Viva o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora!

sábado, 9 de março de 2013

Filme - A Rua é Pública

Filme gravado na Ocupação Eliana Silva em março de 2013. 
"Eles tinham a bola, o time e nenhum lugar pra jogar. Sem campo, quadra ou rua, algumas crianças do assentamento Eliana Silva, não acham que disputa de pênaltis seja uma grande aventura, mas isso está prestes a mudar."

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Prefeitura de Belo Horizonte nega direitos básicos às famílias da Eliana Silva


No último dia 21 de janeiro, uma comissão de moradores da ocupação Eliana Silva foi registrar o pedido de ligação de água e luz nas empresas Copasa e Cemig, responsáveis por tais serviços na região. A prestação destes garantiria às famílias da localidade uma melhoria na condição de moradia, uma vez que as pessoas já estão instaladas há cinco meses na localidade, em casas de alvenaria e trabalhando para a abertura das primeiras ruas. 
No entanto, as empresas indicaram que nada fariam se os endereços das ruas batizadas pelos militantes do MLB não fossem reconhecidos pela secretaria regional, representante do município. Em visita à secretaria, esta mesma comissão ouviu que este problema não será solucionado por parte da prefeitura, a qual considera os ocupantes como pessoas que “furam a fila da moradia”. Ao ser questionado sobre a implantação do programa “Minha Casa, Minha Vida” ou outro programa, o secretario adjunto Wanderley de Araújo voltou a afirmar que há que se esperar que a prefeitura supere o déficit habitacional. 
Todavia, nos últimos quatro anos a prefeitura de Belo Horizonte não construiu uma casa sequer para trabalhadores que tem renda abaixo de 3 salários mínimos, enquanto as ocupações organizadas por diversos movimentos populares construíram cerca de 2000 habitações. Infelizmente, a prefeitura nega-se a garantir tais direitos fundamentais para o ser humano e deixa, dessa forma, as famílias à própria sorte, com todo o tipo de risco que a falta destes serviços podem trazer. Entre os moradores da ocupação, estão diabéticos, idosos e crianças que precisam, por exemplo, de geladeira para manter medicamentos e alimentos essenciais. Além disso, sabem-se os males que a falta de saneamento básico traz à saúde e, embora o centro de saúde local já atenda algumas famílias, é necessária uma conscientização para promoção da saúde, não apenas o tratamento de doenças. 
Por tudo isso, as famílias de Eliana Silva e o MLB insistem na necessidade de que a prefeitura e o poder público como um todo estejam presentes na ocupação, não para reprimir a luta destas pessoas, mas para garantir estes direitos. As pessoas que lutam não devem ser tratadas pelo Estado de forma diferente e seus direitos devem ser garantidos em plenitude.

Mayra Garcia- MLB

sábado, 19 de janeiro de 2013

Coordenadores da Comunidade Eliana Silva sofrem ameaças!

Já completam cinco meses desde que a as famílias da Ocupação Eliana Silva estão numa área na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Durante esses meses a comunidade enfrentou muitas dificuldade e ameaças, principalmente, por parte da PM e da Prefeitura de BH. Porém, a resistência e a determinação firme das famílias vem garantindo a manutenção das centenas de pessoas que estão morando no local e criando novas possibilidades para todos.

Muitos avanços ocorreram. Hoje a quase totalidade das famílias já mora num cômodo de alvenaria e, apesar das inúmeras dificuldades e privações, há energia elétrica e água - embora a ausência do Estado e das instituições públicas do governo estejam omissas frente aos graves problemas de moradia enfrentados pela população. A mão do Estado capitalista só existe para intimidar e reprimir as famílias. A coleta de lixo não é realizada permanentemente e outros direitos são desrespeitados quando as famílias dizem que moram na comunidade. Há um flagrante preconceito contra as pessoas que se encontram nas ocupações urbanas em Belo Horizonte. Mesmo assim, o apoio na região do Bairro Santa Rita e comunidades adjacentes é muito grade, assim como a solidariedade.

A Creche Comunitária está num processo de reorganização para atender as crianças a partir de fevereiro, uma reforma será feita no local, propiciando melhores condições para as crianças. O espaço também será utilizado para a alfabetização de jovens e adultos. Está em processo de avaliação a implantação de um curso de pré-vestibular comunitário, com o objetivo de atender a demanda da própria comunidade e dos jovens que residem nos bairros e comunidades do entorno.

O nível de organização do MLB e da Ocupação Eliana Silva vem incomodando. Nas últimas semanas a coordenação do movimento vem recebendo diversas ameaças e sofrendo intimidações. Diante desses fatos, a Defenssoria de Direitos Humanos do Estado de Minas Gerais vai realizar visitas periódicas na comunidade para acompanhar as denúncias e as ameaças.

Neste domingo,  20 de janeiro, às 10h da manhã, haverá Culto Ecumênico e um ATO de Solidariedade à coordenação do movimento e também estão sendo programadas atividades nos próximos dias para dar apoio. Convidamos todas as pessoas, organizações populares, sindicatos, estudantes e apoiadores da luta da ocupação Eliana Silva para se fazerem presentes e participarem deste dia de solidariedade.

Contamos com você!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

MLB-MG ocupa Walmart na campanha Natal sem fome


Ato de protesto aconteceu na rede multinaciomal Walmart.
No dia 22 de dezembro por volta das 17:00h, 100 famílias organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB-MG, ocupou a entrada do Supermercado Walmart situado no Itaú Power Shopping em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

A reivindicação do movimento era que o supermercado fornecesse 100 cestas básicas e 50 brinquedos para as crianças. Houve grande repercussão junto aos milhares de clientes que passaram na loja durante as quase 6 horas de duração do movimento. Durante o ato, foi feita uma "caixinha de natal" onde muitos dos clientes contribuíram e a soma final foi de R$ 636,00!!! Soma-se a isso, duas cestas básicas doadas por uma senhora que por ali passava e diversos alimentos, como feijão, panetones, pão, etc. O recurso arrecadado serviu para pagar o transporte das famílias para o ato e ainda ajudou muito na ceia de natal das famílias da Ocupação Eliana Silva.

Uma comissão foi recebida pela direção do supermercado. Na reunião ficou encaminhado que na quarta-feira (26) o MLB deve entregar um ofício ao supermercado formalizando o pedido, que será avaliado. Em assembléia, as famílias decidiram suspender o movimento, prometendo voltar se as reivindicações não forem atendidas.

O Natal Sem Fome é um protesto organizado todos os anos em várias cidades do país pelo MLB e tem por objetivo denunciar a exclusão social e econômica de milhões de brasileiros em meio a onda de consumismo tão propagado pelo sistema capitalista.