segunda-feira, 21 de maio de 2012

Despejo em Belo Horizonte viola Direitos Humanos


“Enquanto morar for um privilégio, ocupar será um direito”.
Gilvander Luís Moreira[1]

Além do que escrevi no artigo “Em Belo Horizonte, caveirão para os pobres que lutam: Cerca de 300 famílias jogadas ao relento sob uma noite fria”, disponibilizado na internet em www.gilvander.org.br e em outros sítios e blogs – a indignação me faz acrescentar o que segue.
O despejo da Ocupação Eliana Silva, no Barreiro, em Belo Horizonte, MG, realizado nos dias 11 e 12 de maio de 2012 pelo Poder Judiciário com um fortíssimo aparato repressivo da Polícia Militar de Minas Gerais, foi feito de surpresa, desrespeitando o direito de defesa das famílias. A comunidade não foi notificada anteriormente por nenhum oficial de justiça. Este só chegou após a tropa de choque já estar posicionada para o ataque. O Ministério Público, a Defensoria Pública de Minas e os advogados da Comunidade também não foram informados de que haveria o despejo. Ficaram sabendo pela mídia. Foi desrespeitada a Lei 13.604/00 que exige a constituição de uma Comissão de representantes do Judiciário, do Legislativo e de representantes de Entidades dos Direitos Humanos para tentar uma saída negociada e, caso isso não seja possível, acompanhar o despejo.
O Ministério Público recebeu um Ofício de um Comandante da PM somente dia 10/05/2012, às 19:43h comunicando a reintegração de Posse da Ocupação Eliana silva e convidando para composição do Comitê Permanente de Crise. Não era mais horário de expediente. No Ofício se dizia que a operação seria desencadeada dia 11/05, a partir de 09:00h, mais iniciou-se a partir das 07:40h.
Na tarde do dia 11 de maio, enquanto ocorria o despejo, a Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte votou – e aprovou - em 1º turno o PL 1698/11 que autoriza o prefeito de Belo Horizonte, sr. Márcio Lacerda, vender 118 terrenos da prefeitura, uma contradição diante do enorme déficit habitacional da capital mineira! O prefeito e os vereadores, ao invés de destinarem terrenos para o povo construir casas populares, já que a prefeitura ainda não fez nenhuma casa para famílias de zero a três salários mínimos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida nos últimos três anos, vende terrenos da prefeitura e despeja dezenas de famílias que tentam sobreviver fugindo do aluguel e da vida de favor.
Dia 11 de maio, enquanto ocorria o despejo, a Prefeitura de Belo Horizonte – PBH - já estava com funcionários cercando a área com cerca de arame. A PBH cometeu mais uma ilegalidade, pois cercou uma área que estava sob júdice. Não havia na imprudente decisão liminar da juíza que determinou a reintegração de posse a ordem para que a área fosse cercada com fortes mourões e arame farpado.
Um trator da PBH derrubou árvores lá na área do despejo. Assim a PBH e o prefeito cometeram crime ambiental. As 350 famílias sem-casa, que por três semanas ocuparam a área, não derrubaram sequer uma árvore. Enquanto o trator da Prefeitura passava por cima das árvores, a polícia militar florestal acusava uma das lideranças da comunidade de haver cometido crime ambiental e registrou boletim de ocorrência sobre isto.
Na audiência pública na Comissão dos Direitos Humanos da ALEMG[2], um jovem da Ocupação Eliana Silva chamou todos à reflexão: “Na 2ª noite da nossa ocupação, um grupo de pessoas envolvidas com tráfico tentou invadir nossa comunidade. Com diálogo - só com palavras - conseguimos evitar a invasão e convencer aquele grupo a desistir do que pretendiam. Mas a polícia para nos expulsar não usou apenas palavras, diálogo, mas usou caveirão, tropa de choque, cavalaria, helicóptero, força bruta. Somos pessoas trabalhadoras que estamos lutando por um direito humano elementar: o direito de morar com dignidade. Não agüentamos mais pagar aluguel e deixar de comer,  nem a humilhação de viver de favor.”
Um representante da PBH nos disse que, há três anos atrás, apenas no 1º dia de inscrição para o Programa Minha Casa Minha Vida houve 198 mil inscrições, ou seja, 198 mil famílias, o que equivale a cerca de um milhão de pessoas em Belo Horizonte, um terço da população. Considerando que a PBH constrói apenas mil casas por ano, serão necessários duzentos anos para zerar o déficit habitacional atual. Há em Belo Horizonte cerca de 70 mil imóveis ociosos. Uma mãe da Ocupação Eliana, ao insistir para que a PBH apresentasse alguma proposta concreta para as 350 famílias que estavam acampadas na porta da PBH por dois dias, disse: “Assim será melhor construir cemitério, porque morreremos antes.”
Ameaças estão acontecendo: dia 15 de maio, terça-feira, às 19:05h, horário em que eu, frei Gilvander, deveria chegar em casa, os freis Adailson e João Paulo, ao chegarem em nossa casa, depararam com um automóvel Fiat Uno, branco, estacionado no portão da nossa casa, com as quatro portas abertas e com quatro homens de pé fora do automóvel, um com um cacete grande na mão, em atitude ameaçadora. Já estava escuro na hora e chovia uma chuva fina. Os freis ficaram muito assustados. Não sei se porque não me viram junto com os freis no automóvel, os quatro homens entraram rápido no Uno e, ao manobrar o carro para fugirem do local, embicaram o Uno rumo ao portão da nossa casa, o que assustou mais ainda os dois freis. Estavam me esperando? Queriam me intimidar? Ou pretendiam atentar contra minha vida? Friso que isso aconteceu em um horário em que eu normalmente chego em casa e após eu ter feito denúncias de violação de direitos humanos no despejo das 350 famílias sem teto da Ocupação Eliana Silva através de textos, vídeos e em entrevistas concedidas a diversos meios de comunicação.
Na noite do dia 16 de maio, uma das nossas advogadas, enquanto voltava para casa, “de carona”, foi seguida por dois motoqueiros em uma moto por quatro bairros. Essas denúncias já foram apresentadas à Polícia Civil, à Comissão dos Direitos Humanos da ALEMG, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Imprensa.
O despejo forçado da Comunidade Eliana Silva, a forma como a Prefeitura de Belo Horizonte, o TJMG, o Governo do Estado de Minas Gerais e a Polícia Militar deste Estado trataram as famílias, as lideranças e os apoiadores revelam o que é reservado para os pobres, o Povo trabalhador neste município e neste Estado.
A prática da Polícia militar de Minas, atestado nos despejos em Uberlândia, em Itabira e agora na Ocupação Eliana Silva, tem sido a de evitar matar alguém durante os despejos. Coloca-se um grande aparato repressivo: caveirão, tropa de choque, helicóptero, cavalaria, cães etc. E utiliza-se a tática do torniquete, ou seja, vai apertando gradativamente, asfixiando até os encurralados não oferecer mais nenhuma resistência. Isso não é normal, não é ação pacífica. É violência, porém sem irrupção de sangue na hora. Esconde-se o sangue, mas promove outros tipos de violência.
Não se pode mais admitir que no lugar de chegar políticas públicas eficazes e dignas, chegue a “força”, o mais bruto e violento aparato policial. Por que o Prefeito e o Governo do Estado não foram no local conversar com as famílias? Perguntar por que elas, com crianças, idosos e deficientes, tiveram que se submeter às noites de frio debaixo da lona preta? Por que indígenas (na Eliana Silva são 27 do Povo Pataxó e de outros povos), possuidores destas terras brasileiras ainda têm que lutar por moradia? Por que foram expulsos do campo e estão sendo expulsos da cidade?
Em Belo Horizonte, a única alternativa que está sobrando para as famílias que possuem renda de 0 a 3 salários mínimos é se organizar e lutar para sair do aluguel, da moradia de favor, das áreas de risco. Dandara, Zilah Spósito/Helena Greco, Irmã Dorothy e Camilo Torres são Ocupações-Comunidades que marcham em sintonia. Tem em comum a luta pela moradia digna, pela efetividade de um direito fundamental constitucional. Tem em comum a fé, a coragem, a resistência e a ousadia. Mas, não só isso: tem em comum uma rede de apoio e solidariedade. Solidariedade que no caso do Despejo ocorrido nos dias 11 e 12 de maio o Estado tentou impedir, mas quanto mais se reprime o povo se organiza e se fortalece. O mundo inteiro vai saber do que ocorreu em Belo Horizonte nos dias 11 e 12 de maio, vésperas do dia das mães. Muita indignação e repúdio estão sendo manifestados. Muita solidariedade também. Eliana Silva continua presente. Agora e sempre. Pois como grita o povo, enquanto morar for um privilégio, ocupar será um direito.
Cabe ainda lembrar a quem tem algum preconceito contra a luta dos pobres que o povo das ocupações trabalha como servente, pedreiro, vigia, carroceiro, doméstica e etc para as classes média e alta. Se a força de trabalho é bem-vinda, também a dignidade dos pobres deve ser respeitada.
Em tempo, ontem, às 23:55h, do dia 20 de maior de 2012, observei que meu sítio www.gilvander.org.br foi violado, atacado por raker que retirou todos os mais de 270 vídeos que eu tinha postado na Galeria de Vídeos dewww.gilvander.org.br . Agora, às 07:20h, do dia 21 de maio, observo que todos os vídeos continuam desaparecidos do meu sítio, exceto o que está em destaque. Que terrorismo! Isso tudo é medo da verdade vir à tona?
Temos de divulgar todos esses fatos para que a sociedade esteja atenta às ameaças não apenas às pessoas que já sofrem na pele o desrespeito aos direitos humanos, mas também as ameaças que pesam sobre as pessoas que ousam defender os direitos humanos.
Retroceder, nunca! Em tempos de Comissão da Verdade não vamos nos contentar em apurar os crimes do passado, é preciso mostrar os crimes atuais travestidos de legalidade.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 21 de maio de 2012





[1] [1] Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, em Belo Horizonte – e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail:gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

[2] Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

ATAQUE AO SITE DE FREI GILVANDER

Nesta madrugada, dia 21/05, o site do companheiro Frei Gilvander Moreira, frei carmelita, membro da Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais (CPT-MG) e militante da causa dos direitos humanos, foi atacado. Foram retirados a série de vídeos feitos pelo Frei que denunciavam o despejo de nossa famílias e de outras ocupações, além da situação do povo pobre. A ação está sendo investigada mas temos certeza que só pode ter sido feita por aqueles que estão do lado dos ricos e dos responsáveis pelas desocupações e injustiças no nosso estado.
Essa não é uma ação isolada. Pela sua devoção a causa dos pobres, Frei Gilvander tem recebido ameaças. Mas o movimento está atento e nós, povo pobre e explorado, não permitiremos que nada seja feito ao nosso companheiro.

sábado, 19 de maio de 2012

Prefeitura de Belo Horizonte vende lotes e ruas

Prefeitura de Belo Horizonte usa caveirão para despejar famílias e trabalhadores pobres da Ocupação Eliana Silva mas vende lotes e ruas para ricos.

terça-feira, 15 de maio de 2012

INFORMATIVO DA OCUPAÇÃO ELIANA SILVA


“Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um dever”






Na sexta-feira, dia 11 de maio, ocorreu uma das ações mais covardes da prefeitura de Márcio Lacerda (PSB). Em uma operação de guerra, com direito a “Caveirão” (tanque de guerra urbano), helicóptero, cavalaria, cachorros, bombas de gás lacrimogênio e armamento pesado, cerca de 400 soldados invadiram a ocupação Eliana Silva, destruindo tudo o que viram pela frente. Todo esse aparato foi jogado contra 350 famílias que, no dia 21 de abril, ocuparam o terreno há 40 anos abandonado no Barreiro e por 20 dias sonharam em construir sua casa e morar dignamente.

A ação da polícia, a mando da prefeitura e do governo do estado, além de injusta foi ilegal. Rasgando a constituição e leis estaduais, o despejo aconteceu sem que a prefeitura comprovasse ser dona do terreno, sem aviso prévio, sem comissão de negociação (prevista em lei estadual) e sem avaliação do recurso apresentado pelo advogado das famílias da ocupação. Tudo isso aconteceu com o apoio da juíza da 6ª vara, Dra Luzia Divina de Paula Peixoto, o que mostra que as leis são rasgadas quando é para defender os pobres.

Antes escravas do aluguel ou vivendo a humilhação de morar de favor, cerca de 1500 pessoas, dentre elas bebês, crianças, idosos, casais, podiam dizer que estavam em casa. Agora elas não têm para onde ir e a prefeitura lava suas mãos para uma função que é dela: garantir moradia digna.

Ocupamos porque não há política de moradia em Belo Horizonte

A fila por moradia popular da prefeitura de BH será atendida em 200 anos, segundo os dados oficiais.

Um dos argumentos que a prefeitura usa contra as ocupações é que essas famílias em luta querem furar fila e que não querem respeitar os cadastros dos programas sociais da prefeitura. Mas basta olhar os dados para desmascarar essa mentira.

Segundo dados oficiais, apresentados pela Prefeitura, há 198 mil famílias cadastradas nos programas de moradia e o município afirma ter capacidade de construir apenas 1 mil moradias por ano. Portanto a Prefeitura de Márcio Lacerda afirma que demorará 198 anos para resolver o problema da habitação em Belo Horizonte. Não se pode falar de fila para um programa que não existe.

Prefeitura quer vender terreno de moradia popular para empresários
Enquanto joga na rua famílias pobres que não tem onde morar, prefeitura vende terrenos destinados a construção de moradias populares para empresas privadas. É o caso do terreno localizado no bairro Vitória, na Noroeste, que está dentre os lotes que esperam a confirmação da Câmara para serem vendidos. É essa a opção da prefeitura de Belo Horizonte.

Lucros estão acima da vida

Entre as áreas que serão vendidas há diversas áreas de proteção ambiental, conforme denunciado pela imprensa. O curioso é que despejar as 350 famílias da Ocupação Eliana Silva, o prefeito Marcio Lacerda alegou que aquela área era de proteção ambiental. Mas para garantir a venda dos terrenos, se esquece da proteção ambiental. Moradia digna e proteção do verde podem caminhar juntas.
E mais: O povo que luta por moradia é tratado na bala. Mas a prefeitura não dá o mesmo tratamento para o dono da Anhanguera que, esse sim, invadiu um terreno da prefeitura, avaliado em R$ 2,250 milhões, para aumentar seus lucros. Isso mostra a quem serve esse governo, aos mais ricos, enquanto joga os pobres nas ruas a base de pontapés e gás lacrimogênio.

“Somos todos Eliana Silva”, Emicida

As famílias da Eliana Silva não desanimaram e, como o cantor de rap Emicida, preso por denunciar a situação do povo pobre no Barreiro, colocaram o “dedo na ferida”, ocupando a entrada da Prefeitura de Belo Horizonte.

A prefeitura não quer diálogo e ainda ameaça despejar as famílias das comunidades Camilo Torres e Irmã Dorothy. As comunidades Dandara e Zilah Sposito também tem ordem de despejo. Mas todas elas resistem e lutam.

A ocupação Eliana Silva é mais uma um conjunto de famílias que escolheu o caminho da luta e que vai em frente até conquistar moradia e dignidade. Muitas pessoas tem se solidarizado com essa batalha e é necessário ainda mais ampliar os apoios. Como diz o lema do MLB: “Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito”.



Em Belo Horizonte: caveirão para os pobres que lutam


Cerca de 300 famílias jogadas ao relento sob uma noite fria.
Gilvander Luís Moreira[1]
Ai daqueles que pisam nos pobres, que tripudiam sobre a dignidade de crianças recém-nascidas, idosos, deficientes e indefesos, todos pobres!
Por ter acompanhado estando junto, eu vi e nunca esquecerei. Vi e dou testemunho.
Vi os pobres se organizarem durante meses buscando se libertar da cruz do aluguel, que come no prato do pobre, que é veneno para quem ganha só salário-mínimo.
Vi os cansados da humilhação de sobreviver de favor dar um grito de liberdade: Pátria Livre! Venceremos!
Vi na madrugada do dia 21 de abril de 2012 cerca de 350 famílias sem-terra e sem-teto ocuparem um terreno devoluto do Estado de Minas, área abandonada há mais de 40 anos.
Vi as cerca de 1.500 pessoas resistirem bravamente e não serem despejadas já no primeiro dia da ocupação.
Via o MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas – coordenar a Ocupação Eliana Silva[2] com idoneidade, com participação ativa e paixão defesa dos pobres.
Vi durante três semanas, quase todos os dias, o povo, melhor dizendo, a comunidade que estava se formando na Ocupação Eliana Silva, grande lutadora da Ocupação Corumbiara, em Belo Horizonte.
Vi a sensatez da Dra. Moema, juíza de plantão, negar dia 21/04/2012, a reintegração de posse à prefeitura de Belo Horizonte, porque a área ocupada não tem registro, nem matrícula e nem está averbada. Até 1992 era terra devoluta do Estado de Minas Gerais.
Vi, com tristeza, a juíza Luzia – que deveria gerar luz, mas gerou trevas –, da 6ª Vara de Fazenda Pública Municipal, cancelar a decisão da juíza de plantão e, mesmo sem a prefeitura de Belo Horizonte comprovar ser a legítima proprietária e ter posse do terreno, em uma decisão ilegal mandar reintegrar a prefeitura na Posse do terreno, autorizando a polícia a usar a força, sem oferecer uma alternativa digna para as 350 famílias. A juíza se sensibilizou ao ouvir que a prefeitura tinha a intenção de construir ali um Parque Municipal, mas não sabe ela que na região há um parque municipal que está abandonado.
Vi, acreditando na sensibilidade da juíza Luzia, ela pedir o cadastro das famílias e prometer fazer Audiência de Conciliação. Promessa não cumprida. Sem deliberar sobre Embargos de Declaração e sem que a prefeitura demonstrasse ter a propriedade e ter tido posse antes da ocupação, a juíza exigiu que o despejo fosse feito com urgência. Mas lá não havia coisas, mas seres humanos marginalizados que precisam ser respeitados na sua dignidade.
Não vi, mas ouvi que o prefeito de Belo Horizonte, sr. Márcio Lacerda e seu procurador Geral, sr. Marco Antônio, pressionaram fortemente a juíza e desembargadores para que o despejo covarde fosse feito sem piedade.
Vi, às 01:20h da madrugada quando alguém me ligou no meu celular e, dizendo que não podia se identificar, me disse: “Frei Gilvander, sou oficial militar. Estou chorando, não consigo dormir. Por um dever de consciência estou ligando para lhe informar que um fortíssimo aparato repressivo da PM cumprirá reintegração de posse e despejará a Ocupação Eliana Silva, do Barreiro, hoje cedo. Estou temendo que possa haver derramamento de sangue.”
Vi, após passar toda a madrugada em claro, às 07:30h da manhã do dia 11 de maio de 2012, a polícia militar chegar e congelar toda a área no entorno da Ocupação Eliana Silva. Durante o dia inteiro quem saísse era proibido de voltar e quem vinha para se fazer solidário era proibido de entrar. As pessoas que saíram para trabalhar antes da polícia chegar, ao saber da agressão à ocupação, tentaram voltar, mas foram impedidos de entrar e se irmanar na resistência. Tiveram que se somar à resistência oferecida pelas Ocupações-comunidades Camilo Torres e Irmã Dorothy e por centenas de apoiadores que foram se solidarizar com a Ocupação Eliana Silva.
Vi chegar mais de 400 policiais da polícia militar: tropa de choque, GATE e outros pelotões de polícia militar do Estado de Minas Gerais.
Vi chegar ao lado da Ocupação Eliana Silva um Caveirão – um tanque de guerra -, que eu só tinha visto, via televisão, fazendo incursões em comunidades empobrecidas do Rio de Janeiro.
Vi centenas de policiais armados até os dentes, com gás lacrimogêneo, cães, cavalaria com arma em punho. Muita truculência e prepotência.
Vi e ouvi policiais dizendo que sem-terra e sem-casa devem ser moídos no cacete.
Vi, após duas horas de tentativa de negociação, a tropa de choque atropelar algumas pessoas: mães com crianças; o Paulo, que levou uma cacetada na cabeça; a Dirlene Marques (economista da UFMG), que foi agredida por policiais e ficou com hematomas. Motivo: após ser impedida de entrar e esperar umas seis horas, resolveu driblar a polícia e tentar entrar na Ocupação simplesmente para ser solidária.
Vi, aliás, centenas de pessoas que vieram de longe para ser solidárias com as 350 famílias da Ocupação Eliana Silva serem barradas durante os dois dias de despejo e resistência da comunidade, sem poder ter acesso ao epicentro da operação de guerra que se desenvolvia. Era o “Pinheirinho do Governo de Minas”. Inclusive nisso são semelhantes.
Vi por várias vezes o helicóptero da PM fazendo vôos rasantes sobre a Ocupação com metralhadoras apontadas para o povo. Vi dezenas de crianças chorarem e se abraçarem às mães com pavor daquele “pássaro” que ameaçava atirar nelas. Seria diferente se estivesse ali as crianças de quem mandou fazer o despejo?
Vi muitas mães serem barradas pela polícia ao pedir para entrar na ocupação para pegar remédios para dar seus filhos que padeciam alguma doença. Muitas mães foram impedidas de amamentar seus filhos.
Vi o povo da Ocupação Eliana Silva, sob a liderança do MLB, resistir bravamente de forma pacífica. Sentados todos diziam e repetiram o dia inteiro: “Daqui não sairemos. Só se for presos e algemados.”
Vi, com uma punhalada no meu coração, policiais, garis e funcionários da prefeitura de Belo Horizonte quebrarem 350 barracas de lona preta que era a única casinha que as famílias tinham para morar. Ao serem questionados, alegavam constrangidos: “Tenho que cumprir ordens, senão serei desempregado.”
Vi, com os olhos do meu coração, o prefeito de Belo Horizonte, sr. Márcio Lacerda, o Governador de Minas, sr. Anastásia, a PM de Minas, a juíza Luiza, o TJMG e muitos vassalos pisarem, tripudiarem, cuspirem no rosto dos pobres que têm a ousadia de não ser só força de trabalho para as classes média e dominante, mas, de cabeça erguida, lutam, de forma organizada, para viver com dignidade.
Vi vários veículos da grande imprensa ouvirem só a versão da polícia que, com a maior desfaçatez dizia: “Está tudo na normalidade. Estamos simplesmente cumprindo ordem. O povo vai ser levado para um lugar digno...” Isso é querer tapar o sol com a peneira. Pisar na dignidade dos pobres é normalidade? Tão bom seria se os pobres parassem de trabalhar para seus opressores! Cumpriam ordem, sim, mas ordem injusta, imoral. Levar para “abrigos”, que na prática são campos de concentração, é levar para lugar digno? Os dois mil irmãos em situação de rua no centro de Belo Horizonte preferem sobreviver nas ruas do que ir para os abrigos da prefeitura, porque são horrorosos.
Não vi, mas penso que os que autorizaram o covarde despejo da Ocupação Eliana Silva, sem alternativa digna, devem estar dormindo tranqüilos em quartos e mansões confortáveis, enquanto cerca de 300 famílias que não se vergaram estão passando essa noite fria ao relento no meio dos escombros, onde por 21 dias estavam vivendo felizes, construindo comunidade, com muita ajuda mútua, solidariedade e espírito fraterno de luta.
Vi também a luz e a força de muita gente que, mesmo proibidas de entrar, se fizeram  solidárias.
Vi, sob uma noite fria, o povo como ossos ressequidos clamando por ressurreição.
Vi que fizeram uma grande sexta-feira da paixão dia 11 de maio de 2012 aqui em Belo Horizonte com a Ocupação-comunidade Eliana Silva, mas sei que a verdade que liberta virá à tona. Por isso, um domingo de ressurreição brotará.
Vi o presente de grego que as mães da Ocupação Eliana Silva receberam: repressão, fel. Aliás, há 15 dias uma Comissão na Ocupação já estava planejando fazer um almoço especial para as mamães da Ocupação.



Vi clamores que interpelam nossa consciência e os registrei em várias entrevistas que, em vídeos, estão emwww.gilvander.org.br (Galeria de vídeos). A quem não viu sugiro ver essas entrevistas. Eu sugeri à juíza Luzia que as visse, mas ...
Vi várias mães, como Diocélia, que, durante 36 horas, foram impedidas de amamentar seus filhos.
Vi muita coisa que me marcou indelevelmente, inclusive, caveirão para os pobres de Belo Horizonte.
Vi e verei sempre que a luta por libertação integral e pela conquistas de direitos humanos - e ecológicos - continuará sempre até depois da vitória.

Belo Horizonte, às 01:10h madrugada do dia 12/05/2012, véspera do dia das mamães, expressão infinita do amor infinito.



[1] Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, em Belo Horizonte – e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br –www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

Nota Oficial Palco Hip Hop sobre a prisão de Emicida

Sobre o ocorrido durante o show do Emicida no último domingo(13/05) com a Polícia Militar de Minas Gerais, durante a segunda edição 2012 do Palco Hip Hop, a assessoria de imprensa do rapper se posiciona oficialmente no site do artista http://www.emicida.com/.

A organização do projeto Palco Hip Hop informa que acredita e defende o livre direito de expressão artística e esclarece que em nenhum momento houve a intenção de ofender a PMMG que trabalhava no local. O evento no Barreiro foi realizado dentro dos padrões legais de infraestrutura e segurança exigidos pelo
Corpo de Bombeiros, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e PMMG, cumprindo todas as exigências de forma solícita e aberta ao diálogo.

O Palco Hip Hop é um projeto de cunho cultural e tem por único objetivo promover a Cultura Hip Hop, conciliando ações que fomentem a formação de público e a reflexão sobre a presença do Hip Hop e a importância social e cultural nas comunidades de
periferia. Cumprindo esse objetivo, de 08a 13 de maio o evento realizou, em parceria com a Família de Rua e o Coletivo Bambata dentro da Programação Hip Hop no Festival de Arte Negra (FAN), uma série de atividades abertas ao público no Barreiro,
Centro e Serrano, como oficinas, debates, palestras, workshops e shows com as participações de nomes da cultura Hip Hop local e nacional. Mais de quatro mil pessoas participaram desta segunda edição. Em março deste ano, na edição Morro das Pedras, 1,5 mil pessoas foram beneficiadas pelo projeto. Em 2011, o Palco Hip
Hop reuniu mais de seis mil pessoas. Ressaltamos ainda que não houve registro de nenhuma ocorrência ou infração durante as edições já realizadas do projeto.

Repudiamos a violência e truculência, de qualquer natureza e contra qualquer indivíduo. Somos solidários às famílias atingidas pela desapropriação da Comunidade Eliana Silva, no Barreiro, em Belo Horizonte, assim como às comunidades Zilah Spósito - Helena Greco, Dandara, Pinheirinho, Moinho e todas as outras que vêm sofrendo com a desocupação e a repressão em nosso país. Acreditamos no diálogo e no respeito como ferramentas de transformação de uma sociedade. Seguimos acreditando na cultura Hip Hop e em sua importância artística, cultural e social para a sociedade, e trabalhando em prol de iniciativas que valorizem os seus princípios de paz, amor, união, diversão e respeito.

Somos todos Eliana Silva!

Atenciosamente,

Palco Hip Hop/Família de Rua/Coletivo Bambata

www.palcohiphop.com.br

AMANHÃ: AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A VIOLÊNCIA CONTRA AS NOSSAS FAMÍLIAS


  

Amanhã, dia 16 de Maio, às 11h acontecerá a Audiência Pública para discutir o nosso despejo, realizado de forma truculenta e ilegal na última sexta-feira. A Audiência será no auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e foi convocada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia a pedido do deputado Rogério Correia. Lá denunciaremos a violência polícia e dos governos estadual e municipal que não quer dar solução para a moradia dessas e de todas as famílias pobres de Belo Horizonte.

Foi convidado o Cel. PM Márcio Martins Sant'Ana, Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais; Cel. PM Hebert Fernandes Souto Silva, Corregedor da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais; Célia Pimenta Barroso Pitchon, Ouvidora-Geral do Estado; Ana Cláudia da Silva Alexandre, Subdefensora Pública-Geral do Estado de Minas Gerais; Frei Gilvander Luís Moreira, Assessor de Comunicação da Comissão Pastoral da Terra; Élcio Pacheco, Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG e Joviano Gabriel Maia Mayer, Advogado e Membro das Brigadas Populares. Leonardo Péricles Vieira Roque, Coordenador Nacional do Movimento de luta nos bairros, vilas e favelas (MLB) nos representará na mesa.

DEDO NA FERIDA - EMICIDA


[...] Vi condomínios rasgarem mananciais
A mando de quem fala de deus e age como satanás.
(uma lei) quem pode menos, chora mais,
Corre do gás, luta, morre, enquanto o sangue escorre
É nosso sangue nobre, que a pele cobre,
Tamo no corre, dias melhores, sem lobby.
Hei, pequenina, não chore.
Tv cancerigena,
Aplaude prédio em cemitério indígena.
Auschwitz ou gueto? índio ou preto?
Mesmo jeito, extermínio,
Reportagem de um tempo mau, tipo plínio.
Alphaville foi invasão, incrimine-os
Grito como fuzis, uzis, por brasis
Que vem de baixo, igual machado de assis.
Ainda vivemos como nossos pais elis
Quanto vale uma vida humana, me diz?[...]

[...] É só um pensamento, bote no orçamento
Nosso sofrimento, mortes e lamentos,
Forte esquecimento de gente em nosso tempo
Visto como lixo, soterrado nos desabamento
Em favela, disse marighella. elo
Contra porcos em castelo
O povo tem que cobrar com os parabelo
Porque a justiça deles, só vai em cima de quem usa chinelo
E é vítima, agressão de farda é legítima.
Barracos no chão, enquanto chove.
Meus heróis também morreram de overdose,
De violência, sob coturnos de quem dita decência.
Homens de farda são maus, era do caos,
Frios como halls, engatilha e plau!
Carniceiros ganham prêmios,
Na terra onde bebês, respiram gás lacrimogênio. [...]

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Programa Palavra Ética, com Frei Gilvander - entrevista com Leonardo Péricles, do MLB

Entrevista de Leonardo Péricles, coordenador do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) no programa Palavra Ética, apresentado por Frei Gilvander.

"OCUPAMOS A PREFEITURA A LUTA CONTINUA"


Uma comissão representando as famílias da ocupação Eliana Silva ocupa as escadarias da Prefeitura desde às 7h30. As famílias denunciam a violência da polícia que, usou até um “Caveirão”, veículo semelhante a um tanque de guerra, para retirar Eliana Silva do terreno no Barreiro, a mando da Prefeitura e do Governo do Estado. Além disso, exigem que o prefeito Márcio Lacerda resolva a moradia das 350 famílias que não tem onde morar e que fazem parte do enorme número de sem casa de Belo Horizonte, capital que não construiu nenhuma casa popular até hoje.
As famílias tem disposição de ficar durante todo o dia até que haja uma resposta para suas reivindicações. Está prevista uma vigília com a rede de solidariedade à noite. 













O despejo foi ilegal, afirma Leonardo Péricles, da coordenação do MLB


Dias 11 e 12 de maio de 2012, com mais de 400 policiais militares da tropa de choque, do GATE e de outros pelotões da PM de Minas Gerais, as 350 famílias sem-terra e sem-teto da Ocupação Eliana Silva, no Barreiro, em Belo Horizonte, MG, Brasil, foram despejadas de forma ilegal, truculenta e injusta, sem nenhuma alternativa digna. O povo resisitiu durante 48 horas. Muitas agressões e violência sem fim foram cometidas. Eis, nesse video feito por frei Gilvander um pouco do que aconteceu durante o despejo. Frei Gilvander esteve junto no local da truculência durante 2 noites e dois dias, acompanhando muita coisa que aconteceu lá. Cf. também o texto de frei Gilvander "Em Belo Horizonte, caveirão para os pobres que lutam", que está em www.gilvander.org.br - Belo Horizonte, MG, Brasil, 13/02/2012, dia das mães, dia em que poderosos de Minas ofereceram fel às mães da Ocupação Eliana Silva.

Dirlene Marques, professora da UFMG, agredida durante despejo da Ocupação Eliana Silva



Dirlene Marques, professora de Economia da UFMG e do Fórum Social Mundial, é agredida pela polícia durante despejo da ocupação Eliana Silva.

Rapper Emicida preso por protestar contra despejo da ocupação Eliana Silva

Matéria da Folha de São Paulo

Emicida é detido por incitar o público a fazer gestos obscenos para PM

O rapper Emicida, 26, foi detido no início da noite deste domingo por suposto crime de desacato à autoridade após um show que fez em Belo Horizonte (MG).

A apresentação, gratuita, fazia parte do festival Palco Hip Hop, na região do Barreiro, periferia da capital mineira. O próprio artista informou sobre a prisão pelo Twitter.

"Fui preso por desacato a autoridade após o show em BH por causa da música Dedo na Ferida", disse em sua página no microblog.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Militar de Minas Gerais, o rapper incitou o público a fazer gestos obscenos para a PM e para políticos durante a execução da música "Dedo na Ferida", em protesto contra a desocupação recente de um terreno público na mesma região de BH --Barreiro-- que recebia o show.

Ainda segundo a assessoria, houve a preocupação de que a atitude de Emicida levasse o público a praticar atos de vandalismo. O rapper foi encaminhado para a 36ª Delegacia Seccional do Barreiro, onde ainda prestava depoimento por volta das 21h50.

Por telefone, o irmão e empresário do rapper, Evandro Fioti, confirmou à Folha a detenção e disse que estavam acompanhados de advogado, tentando liberar o artista.

"A polícia entendeu que a letra da música 'Dedo na Ferida' é um desacato. E o público levantou o dedo do meio durante a música em forma de protesto", afirmou Evandro.

"Dedo na Ferida" fala de repressão e critica a polícia. Ela foi composta após a violenta desocupação da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (interior de SP), no dia 22 de janeiro.

O clip da música (veja abaixo) mostra imagens do local que foi desocupado por cerca de 5.000 moradores durante uma reintegração de posse que contou com a participação de 2.000 PMs, incluindo a Tropa de Choque.

"De violência / sob coturnos de quem dita decência / Homens de farda são maus / era do caos / Frios como halls, engatilha e plau! / Carniceiros ganham prêmios na terra onde bebês respiram gás lacrimogêneo", diz a letra.

Em outro trecho, a música diz "o rap ainda é o dedo na ferida".

Por volta das 21h20, as hashtags #LiberdadeEmicida e #dedonaferida estavam entre os dez assuntos mais comentados no Twitter.

"Tanto bandido perigoso solto por aí, e a polícia prende quem está ali cantando sobre a realidade. #LiberdadeEmicida", @FlavinhaFarias.

"13 de maio de 2012. Um negro é preso em BH por cantar uma música.", @repimlins.

Fonte: Folha de São Paulo

Policial agride moradora durante desocupação


Vídeo do Conselho Regional de Serviço Social de MG

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Comunidade da Ocupação Eliana Silva resiste à ação da PM


PM invade Ocupação Eliana Silva e se prepara enfrentar moradores da comunidade, que deram as mãos e fizeram cordão para defender o direito à moradia. Foto: Cristiano Trad/OTempo

Imagens da invasão da PM na Ocupação Eliana Silva


O jornalista fotográfico Cristiano Trad, do jornal O Tempo, registrou momento da ação da PM durante a reintegração do terreno d Ocupação Eliana Silva.

Violência, espancamentos e agressões para deter resistência da comunidade Eliana Silva

Segue o clima de agressões por parte da PM de Minas Gerais às famílias da Ocupação Eliana Silva. Os barracos estão sendo destruídos e as pessoas não têm acesso a seus pertences. Apesar do clima de tensão as famílias resistem o que aumenta o nível de truculência da PM.
Do lado de fora a situação se repete. Foi o que aconteceu com a coordenadora do Fórum Social Mineiro, Dirlene Marques, que foi espancada por cinco policiais quando ingressava no local da Ocupação para apoiar e prestar solidariedade às famílias e acompanhar de perto a situação. Além dela, moradores da Ocupação também foram agredidos por policiais, inclusive mulheres e um jovem que desmaiou tal está sendo a brutalidade e repressão contra as pessoas.
A luta continua!

Polícia invade Ocupação Eiana Silva e desmonta barracos com violência

Com uma ação truculenta e irresponsável a PM invadiu a Ocupação Eliana Silva e está desmontando os barracos das famílias que ocuparam a área desde o dia 21 de abril passado. A situação continua tensa e os próprios moradores estão sob cerco policial dentro do local, não tendo acesso a seus pertences, que estão sendo jogados num caminhão. O clima de revolta e indignação é muito grande. Há pessoas feridas no local e todo o processo ocorre sob muitas agressões e violência.
A Prefeitura não apresentou nenhum documento comprovando que a área pertence ao poder público municipal, mesmo assim a ação de despejo está sendo efetivada e não está sendo levado em conta nenhum dos critérios jurídicos para que a ação seja legítima. Trata-se de uma ilegalidade e de uma arbitrariedade sem tamanho.
As famílias continuam resistindo, apesar do forte aparato.

PM dá ultimato às famílias e vai invadir a área em 45 minutos

É cada vez mais grave a situação das famílias da Ocupação Eliana Silva. centenas de policiais encontram-se na área e um confronto está sendo preparado. Muitas crianças, idosos e mulheres no local.
A ordem despejo ocorre de maneira ilegal, já que a PM e os representantes da prefeitura não cumprem nenhum dos critérios estabelecidos pelas leis. Não há diálogo e o clima é de muita tensão. A PM adota uma posição de intransigência e mostra completo despreparo em lidar com pessoas humildes e pobres.

PM cerca Ocupação Eliana Silva e diz que vai retirar as famílias mesmo que elas resistam


Na manhã desta sexta-feira, 11 de maio, a situação das famílias da Ocupação Eliana Silva, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, é muito grave. Desde às 8h a Polícia Militar deslocou para o local um forte aparato com ordens expressas de retirar as famílias. Hoje completa vinte dias que cerca de 350 famílias ocuparam o terreno. A Prefeitura de BH alega que a área de sua propriedade, porém, não apresentou nenhum documento comprovando ser proprietária. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) apresentou documentos de registro em Cartório de que se trata de uma área devoluta.

Essa situação configura mais uma das muitas ilegalidades da administração municipal que, inclusive, se recusa a receber uma comissão de moradores para resolver o problema da moradia. Quase todas as famílias são cadastradas nos programas habitacionais da PBH há muitos anos, mas nunca receberam nenhuma garantia ou previsão de quando as casas serão construídas. Hoje em Belo Horizonte nem mesmo o tão badalado programa do governo federal “Minha Casa, Minha Vida” tem sequer uma casa construída na cidade. Trata-se de um verdadeiro descaso da PBH com centenas de milhares de famílias sem o direito de viver e morar dignamente. BH possui um dos piores índices no déficit habitacional do país.

Outro aspecto que é denunciado pelos moradores da Ocupação é que nenhuma das leis que garantem uma negociação entre o poder público, a PM e representantes da comunidade para que se debata uma possível retirada das famílias do local sem enfrentamentos. “A Prefeitura e o comando da PM simplesmente ignoram às leis e só querem retirar as famílias, mesmo que isso signifique a morte de pessoas ou derramamento de sangue”, afirma Leonardo Péricles, um dos coordenadores do Movimento.

Nesse momento, uma assembleia dos moradores ocorre no local e o quadro é de extrema gravidade e tensão. As famílias resistem e todos temem pelo pior, já que a Polícia disse que não há acordo.

Há advogados da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) dando suporte jurídico às famílias no local. O MLB afirma que é necessário reforçar a solidariedade e o apoio à luta da comunidade Eliana Silva nesse momento de intransigência por parte da PBH, já que a maioria das famílias não tem para onde ir. O efetivo policial é gigantesco, a Av. Perimetral está fechada e ninguém entra ou sai do local.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Famílias participam de Audiência na Assembleia Legislativa e cobram moradia


Cerca de 200 moradores da Ocupação Eliana Silva participaram ontem da Audiência Pública da Assembleia Legislativa (ALMG) sobre a questão da moradia em Belo Horizonte. As famílias cobraram das autoridades solução para as 350 famílias da Ocupação que, não tendo para onde ir, ocuparam um terreno abandonado no Barreiro. A audiência foi marcada a pedido do MLB pela Comissão de Direitos Humanos. A defensoria do Ministério Público também se somou ao pedido de audiência.

Estava presente além dos deputados Durval Ângelo (PT), Paulo Lamac (PT), Sargento Rodrigues (PDT), membros da Comissão de Direitos Humanos, os representantes da Prefeitura José Flávio Gomes e Aloisio Rocha Moreira (Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte - Urbel); representante do Ministério Público, Cleide Aparecida Nepomuceno; o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Emílcio José Lacerda, membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil-MG, Wagner Dias Ferreira; assessora Jurídica do Ministério Público, Cristiane Santos Fernandes Orneles e o representante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e assessor do vereador Adriano Ventura (PT), Marcos Landa.

“Não adianta mandar batalhão, tem que mandar a solução social”

O companheiro Leonardo Péricles, membro da Coordenação Nacional do Movimento de luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) falou em nome das famílias da ocupação e denunciou a ação da polícia. “A polícia quer intimidar os moradores da ocupação. São policiais homens revistando as mulheres e senhoras moradoras da Eliana Silva. Querem impedir a entrada de mantimentos para as famílias e vocês imaginem a situação do povo enfrentando chuva e frio debaixo das lonas para lutar por moradia”, afirmou Leonardo.

Os representantes da prefeitura não falaram sobre as denúncias. Aloisio Rocha Moreira (Urbel-Prefeitura) disse que “habitação é uma política social prioritária para a prefeitura”. José Flávio Gomes (Urbel- Prefeitura) disse que a prefeitura tem um cadastro com 198 mil pessoas reconheceu que faltam casas para a população pobre, mas que estão sendo construídas 13 mil casas. Segundo ele “há um problema de falta de espaço para construção em Belo Horizonte”.

Poliana Souza, moradora da Eliana Silva denunciou o descaso da prefeitura com o povo de Belo Horizonte: “A prefeitura não entregou nenhuma casa para pessoas da faixa de zero a três salários mínimos e ainda querem nos despejar. Dizem que falta terreno, mas o terreno que nós ocupamos estava abandonado. Nossas famílias moravam de favor ou eram escravas do aluguel. Não temos para onde ir e não vamos para debaixo da ponte. A prefeitura tem que apresentar uma solução”, cobrou Poliana.

O deputado Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, pediu abertura de diálogo por parte da prefeitura. “O que vemos é a total falta de política habitacional em Minas Gerais. Não adianta mandar batalhão, tem que mandar a solução social”, conclui.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

TODO APOIO À ELIANA SILVA!


As Brigadas Populares manifesta o seu apoio à Ocupação Eliana Silva realizada na região do Barreiro em Belo Horizonte ,Minas Gerais, no dia 21 de Abril de 2012. Centenas de pessoas, organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), se uniram e se organizaram para lutar pelo direito à moradia digna e combater a segregação sócio-espacial imposta pelo capital especulativo imobiliário. A ocupação de um terreno que não cumpre sua função social é forma legítima de reivindicação de direitos fundamentais, que, ressalta-se, estão sendo negados pelo Estado ao privilegiar o lucro das construtoras e incorporadoras em detrimento de uma política pública de habitação ampla e efetiva.

A ocupação Eliana Silva nasce para somar forças ao enorme contigente de famílias que buscam viver com dignidade em nossa cidade. São famílias, que, como tantas outras, lutam e resistem nas ocupações urbanas, enfrentando a Prefeitura de Belo Horizonte e o Governo do Estado de Minas Gerais, já que estes se furtam ao dever de eliminar o déficit habitacional. Nos colocamos ao lado dos moradores de Eliana Silva, unidos por uma mesma causa: uma reforma urbana estrutural, efetiva e popular!

Eliana Silva está viva na luta do povo!!!


Por uma cidade aonde caibam todas e todos!!

Pátria Livre! Venceremos!

Brigadas Populares - MG

quarta-feira, 2 de maio de 2012

OCUPAÇÃO RECEBE APOIO DE FORA DO BRASIL


Richard José Bolivar direto das comemorações do Dia do Trabalhador em Santiago, Chile

Christian Coelho, em Stonehenge, Inglaterra


Christian Coelho na Catedral do Sangue Derramado, São Petersburgo, Rússia



Na Ocupação Eliana Silva 14 indígenas também lutam por moradia

AGENDA NA NOSSA LUTA

O III FÓRUM DE SOLIDARIEDADE À OCUPAÇÃO ELIANA SILVA É NESTA QUINTA-FEIRA, DIA 3, ÀS 18H30, NA SEDE DA ASSOCIAÇÃO METROPOLITANA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS, AMES-BH. 
O ENDEREÇO É: Rua da Bahia, 573 - sl 304 - Centro - BH/MG (Próximo ao Viaduto Sta. Tereza). 
COMPAREÇA E SE JUNTE A NÓS NESSA LUTA!

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio: ato na Ocupação Eliana Silva faz homenagem aos trabalhadores


O 1º de Maio foi um dia especial para a Ocupação Eliana Silva. Já são 11 dias em que as famílias encontram-se acampadas no local, enfrentando inúmeras privações e renovando as esperanças a cada dia.

Aproveitando o Dia Internacional dos Trabalhadores, várias entidades sindicais e organizações promoveram um ato político. O ato começou logo após a assembleia geral dos moradores, e que reuniu várias lideranças sindicais.

O ato iniciou com a execução do hino A Internacional e a leitura do manifesto do PCR para todos os moradores da ocupação. Renato Campos Amaral falou em nome do Sindmassas - Contagem e como coordenador do MLC em Minas Gerais, destacando a importância da organização dos trabalhadores e a luta da classe operária no Brasil e no mundo em defesa de seus direitos e garantias sociais. Em seguida foi a vez de Glauber Ataíde, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Informática e Processamento de Dados (Sindados-MG), que ressaltou as lutas históricas dos trabalhadores e do 1º de Maio como data significativa para os trabalhadores, ressaltando a luta pela redução da jornada de trabalho que levou às manifestações e enfrentamentos em Chicago, EUA. Jobert falou representando o Sindeletro MG e denunciou as mortes dos trabalhadores da Cemig a cada 45 dias por causa das péssimas condições de trabalho na empresa, fruto da precarização e da política de terceirização adotada pelo governo neoliberal de Anastasia. A juventude também teve seu espaço. Matheus Malta falou em nome da UJR e destacou a luta da juventude pelo primeiro emprego e por salários dignos para os jovens trabalhadores.

Em nome do Partido Comunista Revolucionário falou Fernando Alves, reafirmando a necessidade das lutas dos trabalhadores no 1º de Maio em todo o mundo, a luta pelo socialismo e pela libertação dos trabalhadores da escravidão capitalista.

Dirlene Marques, em nome do Fórum Social Mineiro utilizou a palavra para reforçar o apoio dos movimentos sociais à Ocupação Eliana Silva.

Todos fizeram questão de afirmar a luta pela moradia, a força da unidade dos trabalhadores e defender o aumento da rede de solidariedade para o MLB e a Ocupação Eliana Silva.










Ocupação Eliana Silva no II Acampamento de freiras e freis de Minas

Vídeo:Polícia tenta impedir entrada de cadeirinhas para creche