Hoje, dia 04/10/2012, eu, frei Gilvander Moreira, e o vereador Adriano Ventura fizemos reunião com 12 famílias que estão ameaçadas de expulsão elo prefeito de Belo Horizonte, sr. Márcio Lacerda, e a URBEL, na Vila Bandeirantes, no Conjunto Santa Maria, ao lado do Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte, MG. Duas casas já foram destruídas pela URBEL que está pressionando o povo para abandonar as casas alegando que há uma movimentação no solo e que, por isso, a área se tornou de risco. Mas as famílias já moram na Vila Bandeirantes há 12, 15, 20, 30 anos e nunca aconteceu deslizamento lá. Inclusive uma bisavó de 100 anos mora lá há 30 anos. Agora a PBH tirou o sono inclusive dessa bisavó. A pressão da URBEL para expulsar as famílias da Vila Bandeirantes iniciou em 29/08/2012. Acontece que o Hospital Luxemburgo também está ao lado do barranco, mas segundo Deivissom, da URBEL, o Hospital não será retirado do local. Fazer um muro de arrimo é o mais justo e sensato, mas como a movimentação que de fato está acontecendo é a movimentação financeira e especulativa de empresas construtoras que querem construir no local prédios de 20 ou 30 andares. Aliás, há uma série de edifícios arranha céus ao lado, inclusive um edifício luxuoso da TIM. Além da pressão psicológica, a URBEL oferece abrigo, ou bolsa moradia ou uma indenização injusta e pífia. Denunciamos mais essa injustiça do prefeito Márcio Lacerda, o demolidor de casas de pobres em BH. Belo Horizonte, MG, Brasil, 04/10/2012.
Há poucas semanas de completar 1 ano, a luta das famílias da Ocupação Eliana Silva continua viva e cada vez mais firme. Durante os últimos 11 meses muitos desafios foram superados, vários avanços foram registrados, mas o governo de Antônio Anastasia e o prefeito Márcio Lacerda, ignoram por completo as necessidades básicas dessas famílias de Belo Horizonte. Solucionar os problemas de cerca das 350 famílias é urgente. Somos cidadãos e temos direito à moradia digna.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Márcio Lacerda e URBEL expulsando famílias na Vila Bandeirantes
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded
terça-feira, 16 de outubro de 2012
I Dia das Crianças da Ocupação Eliana Silva!
I Dia das Crianças da Ocupação Eliana Silva
No último domingo (14/10) foi realizado na Ocupação Eliana Silva a primeira f
esta de Dia das Crianças. Organizada de maneira coletiva pelos moradores, voluntários da rede de apoio e solidariedade e pelo MLB, a festa contou com diversos momentos de confraternização e nem mesmo a chuva atrapalhou a alegria das crianças. O evento foi intensamente divulgado pelas redes sociais, e pelos apoiadores da Ocupação, que conseguiram arrecadar através de uma campanha de doações todo material necessário para realização deste dia agradável e feliz para as crianças e para toda a comunidade.
A solidariedade e o trabalho coletivo proporcionou: a arrecadação de brinquedos, materiais para lembrancinhas, elaboração das oficinas, e uma siginificativa presença no domingo durante a realização do evento que resultou em uma grande interação com as crianças.
Foram realizadas oficinas de: Dança, Desenho, Pintura Facial, Massinhas Caseiras e Balões. Além de brincadeiras, distribuição de brinquedos, lembrancinhas e lanches.
Após um dia inteiro de festividade, uma seção de cinema infantil realizada na própria creche com a exibição do filme: Formiguinhas Z, encerrou o dia.
Mais uma vez a sociedade mostra que com determinação, organização e solidariedade é possivel construir uma nova realidade para estas crianças, que participam diariamente da luta dos seus pais pelo direito á moradia digna e crescem com a certeza de que um dia viverão em um mundo melhor!
Somos Todos Eliana Silva!
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Festival de Hip Hop em Betim tem homenagens à Ocupação Eliana Silva
Mais uma vez o pessoal do Hip Hop faz homenagem à Ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte. A nova demonstração de apoio e solidariedade veio de vários grupos, em especial, do Facção Central, que mais uma vez empunhou a camisa do MLB.
No último dia 30 de setembro, durante a 8ª edição do Hip Hop na Veia pela Vida, que acontece anualmente em Betim, que aconteceu na Praça do PTB (Viaduto do PTB/BR 381), ocorreram declarações de solidariedade á luta pela moradia. Participaram da edição do festival os seguintes grupos: Facção Central (SP); Detentos do Rap (SP); Sem Meia Verdade; LadoPosto; Raça DMC's; CDR Trinca Mentes; Ergon; ADS; Mr Black e Convidados; Vila Rappers; Entre outros...
A arte popular da juventude da periferia dando apoio à luta pela moradia digna!
Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!
domingo, 14 de outubro de 2012
Estado cego e surdo aos clamores dos oprimidos
Gilvander Luís Moreira [1]
Uma parábola do Evangelho de Lucas narra: “Havia
em uma cidade um juiz que não temia a Deus e não tinha consideração para com os
homens (= os empobrecidos).
Nessa mesma cidade, existia uma viúva que vinha a
ele, dizendo: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário!’” Pergunta o
evangelho: “Deus não faria justiça a seus eleitos que clamam a ele dia e
noite?” (Lc 18,2-3.7)
Essa parábola está acontecendo também agora no
Brasil, especificamente em Belo Horizonte, MG, onde 1.900 famílias (= cerca de
10 mil pessoas) das Ocupações Camilo Torres, Dandara, Irmã Dorothy, Zilah
Sposito-Helena Greco e Eliana Silva clamam por direitos humanos a partir do
direito a moradia digna. Mas o Estado tem se mostrado cego e surdo aos clamores
dos oprimidos que legitimamente lutam para se libertar da cruz do aluguel e da
humilhação que é sobreviver de favor. Nos últimos meses desse ano são dezenas
de liminares de reintegração emanadas pelo Judiciário mineiro, só na Vara
Agrária de MG, em cinco dias, aproximadamente 15 liminares foram expedidas para
despejar ocupações rurais.
As 350 famílias da Ocupação
Eliana Silva, após serem despejadas, de forma injusta e truculenta pelo
prefeito de BH (sr. Márcio Lacerda), TJMG e Governo Estadual Antonio Anastasia
(com caveirão e mais de 400 policiais), sacudiram a poeira e deram a volta por
cima. Durante vários dias, pouco a pouco, ocuparam outro terreno abandonado
distante 1 Km da área despejada. Desta vez um empresário, com residência em São
Paulo, conquistou outra Liminar de reintegração de posse. A juíza da 33ª Vara
Cível autorizou o uso de força policial e, sem exigir do empresário ou do poder
público nenhuma alternativa digna para as famílias, ordenou ao oficial de
(In)justiça que tivesse cuidado ao “retirar” as crianças e os idosos. Será que
ali existem coisas e não pessoas? Isso é autoritarismo disfarçado de altruísmo.
É como o conto da barata: morde e depois assopra.
Será que não passou da hora de os juízos ao invés
de mandar retirar, mandar assentar em lugar digno de ser humano morar, com
todos os componentes necessários a garantir a dignidade da pessoa humana?
Em uma Audiência Pública na Comissão de Direitos
Humanos da ALEMG[2], a Defensoria Pública do Estado de Minas e
representante da Comissão dos Direitos Humanos da OAB/MG demonstraram que o
empresário não comprovou ter a posse do terreno e que todos os terrenos onde
estão as Ocupações Camilo Torres, Irmã Dorothy e a Nova Ocupação Eliana Silva e
vários outros terrenos abandonados da região, áreas contíguas, tratam-se de
terras que tinham por vocação original a construção de fábricas e indústrias a
fim de cumprirem a função social econômica da cidade. Todavia, desde as décadas
de 80/90 do século XX, estas terras foram paulatinamente repassadas do poder público
para o particular e nunca foi construído nada em cima das terras. Nos terrenos
onde se planejou (?) criar o Distrito Industrial do Vale do Jatobá, de fato, há
20 anos, vem acontecendo grilagem de terra e especulação imobiliária.
Em 1992, A CODEMIG - Companhia de Desenvolvimento
de Minas Gerais -, empresa pública de capital misto, repassou para empresas
vários terrenos alegando que seria para a criação do Distrito Industrial do
Vale do Jatobá, em BH. Por preço irrisório e sem licitação as vendas foram
feitas, mas com cláusula contratual que exigia a construção de empreendimento
industrial para gerar emprego
na região dentro de 1 ou 2 anos. Passaram-se 20 anos e nenhuma empresa
construiu nada nos terrenos. As várias empresas que compraram da CODEMIG
especularam e depois venderam para outras empresas, que após acumularem lucro
venderam para outras empresas que, após especular mais venderam para outras
empresas, que deixaram os imóveis em situação de completo abandono. Por lá
especularam, inclusive, Banco Rural e Bradesco.
Enquanto isso, o déficit habitacional em Belo
Horizonte está acima de 150 mil moradias. Só no primeiro dia de cadastramento
para o Programa Minha Casa Minha Vida, há 3 anos atrás, 198 mil famílias se
inscreveram. O prefeito Márcio Lacerda não fez nenhuma casa pelo Programa Minha
Casa minha vida para famílias de zero a três salários mínimos. Pior! Inventou o
Programa Minha Pedra Minha Vida, pois, com dinheiro público e usando o suor –
força de trabalho – dos pobres mandou colocar pedras pontiagudas de concreto
debaixo de viadutos da capital mineira para impedir que os mais 2 mil irmãos/ãs
nossas que sobrevivem nas ruas de BH durmam debaixo dos viadutos.
Eis uma amostra da especulação que vem ocorrendo
nesses terrenos, segundo o prof. Dr. Fábio Alves, histórico defensor dos
direitos humanos dos pobres:
“O imóvel objeto da contenda judicial que envolve a
Ocupação-comunidade Irmã Dorothy pertencia ao Estado de Minas Gerais,
através da Companhia de Distritos Industriais, atual CODEMIG. Em dezembro
de 2001 a CDI-MG – Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais -
celebrou contrato com a empresa PARR PARTICIPAÇÕES LTDA, com sede em São
João Nepomuceno, pelo qual o imóvel constituído pelo lote 26 – vinte e seis
– do quarteirão 155 – do Bairro Jatobá – Distrito Industrial seria
transferido para referida empresa, SOB A CONDIÇÃO DE, NO PRAZO DE VINTE
MESES, SER REALIZADO NO LOCAL UM empreendimento industrial, gerando empregos na
região. Exatos cinco meses após a celebração do referido contrato a
empresa PARR Participações Ltda, contando com a anuência da CDI-MG,
transfere o imóvel para o Banco Rural S/A, como dação em pagamento. Da
CDI (atual CODEMIG), dita empresa adquiriu o imóvel pelo valor de R$ 121.000,00
e o repassou para o Banco Rural, cinco meses depois, por R$ 600.000,00. Mais
do que 500% acima do valor pelo qual o Estado, por meio da CDI, repassou o
imóvel ao particular. O encargo da implantação de um empreendimento
industrial na área, outrora pública, foi remetido ao esquecimento. Assim,
matreira e astutamente, um BEM PÚBLICO é transferido para o particular,
sem que a sua destinação seja alcançada. Transcorridos os vinte meses
estabelecidos na cláusula nada foi feito no local, e os anos se passaram
desde então sem que fosse dada nenhuma destinação ao imóvel. Seis anos depois,
sem que o encargo tenha sido cumprido, a mencionada CODEMIG, sucessora
da CDI, permaneceu inerte. Nada fez para reverter ao patrimônio público
o imóvel em questão. Pois bem, embora assentado em explícita ilegalidade, o Banco
Rural S/A celebra, em 2007, Contrato Particular de Compra e Venda
com a empresa TRAMMM LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA e outras pessoas
físicas pelo valor de R$ 180.000,00. Três anos se passaram sem que
sequer a Escritura de Compra e Venda tivesse sido providenciada. O imóvel, por mais
de dez anos, restou em completo abandono. O local servia unicamente
para bota-fora de resíduos sólidos. Fica o registro no fato do Banco
Rural ter recebido o imóvel pelo valor de 600 mil reais e o ter prometido em
venda por apenas 180 mil reais. Em fevereiro de 2010, a empresa Tramm e outras
pessoas físicas, sem que proprietários fossem do imóvel, celebram Contrato de
Promessa de Compra e Venda com ASACORP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES
S/A, pelo valor de R$ 580.000,00. Também esta nova empresa sequer
pôs uma estaca no local. O terreno continua, em parte sendo depósito de
entulhos. Em outra parte, passou a abrigar famílias que ali foram se instalando
como extensão da comunidade Camilo Torres. Dessa extensão da comunidade surgiu
a Comunidade Irmã Dorothy. A ASACORP EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES S/A
ingressou, junto ao Município de Belo Horizonte, com pedido de aprovação de
projeto habitacional a ser financiado pela Caixa Econômica Federal. Há de se
sublinhar que a região em que se encontra o imóvel é destinada a indústria e
não a residência, conforme Plano Diretor do Município de Belo Horizonte.”
Outro empresário também requereu reintegração de
posse alegando que a Nova Ocupação Eliana Silva ocupou parte dos 15.800 metros2
que ele diz ter comprado da CODEMIG, mas a CODEMIG move ação judicial contra
ele visando retomar o terreno porque ele não construiu nenhum empreendimento
industrial no local.
O Ministério Público e a Defensoria Pública de Minas
ajuizaram três Ações Civis Públicas questionando essas transferências de
imóveis pela CODEMIG, mas o Judiciário mineiro ignora essas irregularidades e
continua determinando o desalojamento das famílias que vivem nesses terrenos. O
Governador de Minas pode e deve declarar a nulidade desses contratos. Não
precisa esperar a morosidade cúmplice da (In)Justiça. Só haverá paz com justiça
social quando todos os terrenos do que seria (?) o Distrito Industrial do Vale
do Jatobá forem destinados para um grande programa habitacional que vise a
atender famílias com renda de zero a três salários mínimos. Por isso luta o MLB[3], a Nova Ocupação Eliana Silva, Camilo Torres
e Irmã Dorothy e muitos militantes. Em Audiência Pública realizada na ALEMG
para apurar essas irregularidades, exigimos a criação de uma CPI[4] para apurar as ações do Estado e de empresas
que especulam com terras públicas onde seria (?) o Distrito Industrial do Vale
do Jatobá, em Belo Horizonte. Também de acordo com o princípio da autotutela
dos atos administrativos, o Estado de Minas Gerais, tendo conhecimento do fato,
já deveria ter anulado os atos eivados de vícios e que representam danos ao
patrimônio público. Os bens públicos devem ser usados para o bem estar das
pessoas. A dignidade da pessoa humana não é um dos fundamentos do Estado? (Art.
1º da CF/88)
Diante das câmeras da TV Assembleia, mães, com suas
crianças no colo, alertaram com palavras de fogo: “Vejam aqui. Minhas filhas
são de carne de osso. A Nova Ocupação Eliana Silva e o MLB são a nossa causa
agora. Lá em poucos dias já construímos a Creche de alvenaria. Assim posso ir
trabalhar em paz, pois sei que minhas crianças estão sendo bem cuidadas na
creche. Naquele terreno abandonado construiremos nossas casas. De lá só saímos
no saco preto.” “Minha filhinha, agarrada em mim, diante do paredão da tropa de
choque me perguntou assustada: ‘Mãe, pra que tanta polícia? Tem bandido aqui no
nosso meio?’ Tive que responder para minha filha: ‘Eles estão achando que nós
somos bandidos.’ Minha filha me deu um beijo e me disse: “Mamãe, a senhora não
é bandida. A senhora é trabalhadora. A senhora cuida de nós.”
Felizes os que ouvem os clamores dos oprimidos e se
tornam próximos de quem clama por Justiça! Aí de quem é vassalo de um Estado
cego e surdo aos gritos de mães que, por amor aos seus filhos, lutam por um
elementar direito: o de morar com dignidade.
Em tempo: Por que a Imprensa não trata da questão
abordada acima? “É a censura”, me dizem muitos.
Belo Horizonte, MG, Brasil, 10 setembro de 2012.
Eis, abaixo, links de oito vídeos que corroboram o
analisado e denunciado, acima. Os vídeos estão também em www.gilvander.org.br
(Galeria de vídeos).
1) Audiência da
Ocupação Eliana Silva na ALEMG: Arquiteto desmascara Márcio Lacerda. 07/09/2012
2) Rede de apoio à
Ocupação Eliana Silva: Wiliam, das Brigadas, e Bizoca, do IHG. 07/09/2012
3) Fila do Povo da
Ocupação Eliana Silva, na ALEMG: Mães e Crianças clamam por moradia. 06/09/2012
4)
Fila do Povo da Ocupação Eliana Silva na ALEMG, em BH: Palavras de fogo. Quem
ouvirá? 06/09/2012
5) Dr. Elcio Pacheco- Comissão de Direitos Humanos/OAB/MG-
defende Ocupação Eliana Silva.
6) Defensoria Pública
de MG defende Ocupação Eliana Silva na ALEMG: Ilegalidades. 06/09/2012
7) Audiência na ALEMG sobre Ocupação Eliana Silva -
vídeo 2: despejo? Leo do MLB. 06/09/2012
8)
Ocupação Eliana Silva em Audiência Pública: Leonardo e MLB denunciam
injustiças. 05/09/2012
[1] Frei e
padre carmelita, mestre em Exegese Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via
Campesina, em Minas Gerais, Brasil;
e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br
– www.gilvander.org.br
– www.twitter.com/gilvanderluis
- facebook: Gilvander Moreira
[2] Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
[3] Movimento de luta nos Bairros, Vilas e
Favelas. Cf. www.ocupacaoelianasilva.blospot.com
[4] Comissão Parlamentar de Inquérito.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Despejo "delicado" e "voluntário"
Provando que cara de pau não tem limite, Márcio Lacerda afirma em debate da Rede Globo que as famílias da ocupação Eliana Silva foram despejadas "com toda delicadeza" e que as famílias saíram "voluntariamente".
Posted by
Glauber Ataide
at
19:35
3
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012
A Cidade que Queremos – Comunidade Eliana Silva
Programa vai debater a ocupação da cidade pela população.
Dia 05/10/2012, sexta-feira, das 19:00h às 21:00h, acontecerá na Casa Fora do Eixo, em Belo Horizonte, um Programa Debate, para a Internet, um POSTV, sobre A Cidade que Queremos a partir da Ocupação Eliana Silva - www.ocupacaoelianasilva. blogspot.com, em Belo Horizonte, MG.
Dia 05/10/2012, sexta-feira, das 19:00h às 21:00h, acontecerá na Casa Fora do Eixo, em Belo Horizonte, um Programa Debate, para a Internet, um POSTV, sobre A Cidade que Queremos a partir da Ocupação Eliana Silva - www.ocupacaoelianasilva.
Anúncio, abaixo, com os nomes dos debatedores:
Frei Gilvander, Leonardo Péricles e Poliana de Souza
Participe e ajude a divulgar!
Nova Casa Grande e Novas Senzalas
Cidade Grande, nova Casa Grande; Periferias, novas
Senzalas.
Gilvander Luís
Moreira [1]
Em 1933, Gilberto Freyre revelou a
estrutura colonial da empresa Brasil: Casa Grande e Senzala, aquela vivendo à
custa dessa. Na e a partir da Casa Grande, o senhor de engenho manda. Na e a
partir da Senzala muitos baixam a cabeça e obedecem, e, assim, são
escravizados, mas uma minoria, como Zumbi e Dandara, levanta a cabeça, foge e organiza
quilombos como o de Palmares. Passa-se o tempo, mudam-se os rótulos, mas a
lógica e a estrutura escravocrata continuam funcionando a todo vapor. Os
em-pregados de hoje, quem ganha apenas salário-mínimo são, na prática, os
escravos da atualidade.[2]
Sobrevivem nas periferias das regiões metropolitanas, as chamadas “cidades
dormitórios”, mas, na realidade, são as novas Senzalas que movimentam a nova
Casa Grande, a Cidade Grande.
Dia 30 de setembro de 2012, celebramos
missa na Comunidade Santa Teresinha, em Justinópolis, Ribeirão das Neves, região
metropolitana de Belo Horizonte, com a igreja lotada. Após a missa, pedi que
levantasse a mão quem trabalhava em Belo Horizonte. 95% dos jovens e adultos
levantaram a mão. “A que hora vocês saem
de casa para ir trabalhar?”, indaguei. “Às
4,5 horas”, uns gritaram. “Às 5 horas”,
disse a maioria quase em coro. “A que
horas vocês chegam de volta do trabalho? “Às 20:00h”, disseram uns. “Às
20:30h”, outros. “Vocês vão dormir a
que hora?” “Às 11 da noite.”
Outros: “À meia noite.” “Como é a viagem nos ônibus para ir trabalhar
e para voltar?” “Os ônibus estão
sempre superlotados. As passagens são muito caras. Demora muito a viagem.
Deveria ter mais ônibus. É uma canseira danada ter que enfrentar a ida e a
volta para trabalhar”, diziam todos.
Ribeirão das Neves, com 350 mil habitantes,
é uma das 31 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, é a “cidade das
prisões”, pois há cerca de 6 mil presos em grandes complexos penitenciários. “Basta de construir prisões aqui na nossa
cidade!”, gritam os nevenses indignados.
Pedi para levantar a mão quem tinha
nascido na roça, no campo. 80% dos adultos levantaram a mão. É só fazer memória
das coisas boas da roça que todos brilham os olhos. Sinal de que o povo sai da
roça, mas a roça não sai do povo.
“Onde
vocês trabalham em Belo
Horizonte e o que fazem?”, perguntei. Ouvi uma lista
enorme de profissões e serviços: doméstica, cuidadora de idosos, servente de
construção, pedreiro, motorista, motoboy, vigia, secretária. “E o salário?” Uns ganham salário-mínimo;
outros 1,5 salário; No máximo, dois salários mínimos. “Vocês têm casa própria?” Uma minoria disse que sim. A maioria
sobrevive em favelas, ou na cruz do aluguel ou ainda na humilhação do
sobreviver de favor em casa de parentes. Alguns disseram que trabalham em Belo Horizonte a semana
toda, dormem nas ruas e voltam para casa na região metropolitana somente nos
finais de semana.
Os pobres da cidade e do campo são os
que constroem a cidade e o campo. O povo das ocupações urbanas da capital
mineira – Comunidades Camilo Torres, Dandara, Irmã Dorothy, Zilah
Sposito-Helena Greco e Eliana Silva – cerca de 1.900 famílias, exceto os
desempregados e os que estão na economia informal, trabalha nas indústrias, nas
empresas, no comércio, nos órgãos públicos do Estado e nas residências das
classes média e alta, geralmente em trabalhos manuais, os considerados indignos
para quem cursou uma faculdade. Eu conheço mulheres de ocupações urbanas sendo:
a) copeiras na UFMG; b) cuidadoras de idosos no Belvedere; c) domésticas no bairro
Mangabeiras – bairro mais enriquecido - em casa com 2 pessoas e 32 quartos ; d) lavadeiras
de ônibus; e) rejuntadoras de piso de apartamentos; f) Pedreiros, inclusive, um
que, com braço quebrado, estava na ocupação Eliana Silva. Ele me disse: “Há 25 anos ajudo a construir casas e
apartamentos para empresas e outras pessoas, mas não consegui ainda adquirir
minha casa própria.”; g) Serventes, como o que encontrei chorando na UPA[3]
de Venda Nova, em BH. Ele já caiu várias vezes de escadas, enquanto trabalhava
em construções, porque há 3 anos está numa via sacra de hospital em hospital,
de UPA em UPA, precisando fazer uma cirurgia do ouvido que dói constantemente e
está todo purulento. Por isso ele já está surdo de um ouvido e ouvindo pouco do
outro.
O
grau máximo dessa violência se dá quando não se reconhece a humanidade do
outro. Mais além: O projeto dominante de cidade, hoje, busca alargar cada vez
mais os espaços privados e, por isso, reduz os espaços públicos. Exemplos disso
não faltam. No Mangabeiras, um dos bairros nobres de Belo Horizonte, em 1 Km2
vivem folgadamente mil pessoas, enquanto no bairro, ao lado, na Serra, onde há
o Complexo das favelas da Serra, em 1 Km2 sobrevivem arrochadas
cerca de 40 mil pessoas, isso segundo dados do IBGE.
Nesse contexto de nova Casa Grande e
novas Senzalas, enquanto o prefeito de BH, o governador de Minas e a presidenta
Dilma Rousseff não construíram nenhuma casa pelo Programa Minha Casa Minha Vida
para famílias de zero a três salários mínimos na capital mineira, sob a
liderança de movimentos sociais populares – como as Brigadas Populares[4]
e o MLB[5] - que
empoderam os pobres, o povo das Ocupações urbanas de Belo Horizonte está
construindo mais de 2.400 casas de alvenaria. Isso em cinco anos de luta. A
Comunidade Camilo Torres, já construiu (ou está em construção) 142 casas;
Dandara, mil casas; Irmã Dorothy, 137 casas; Zilah Sposito-Helena Greco, 140
casas; Novo Lagedo, cerca de 1.000 casas. Total: 2.419 casas.
E mais: não tem sido só a construção de
casas, mas a construção de pessoas, de valores que contrapõem os valores da
sociedade capitalista, como a colaboração, a solidariedade, o reaproveitamento,
o trabalho coletivo e em mutirão, a produção de alimentos sem agrotóxicos, a
troca, a amizade e o cuidado.
É luta por direitos humanos para sair da
cruz do aluguel e do sobreviver de favor. Essas conquistas se tornam possíveis
graças à conjugação de muitas forças vivas da sociedade, tais como: a) A
construção de movimentos sociais populares idôneos e realmente comprometidos
com a luta dos injustiçados; b) Organização dos pobres; c) Constituição de uma
Rede de Apoio externo que aglutina as melhores forças vivas da sociedade; d)
Busca incessante de conhecimento crítico; e) Clareza sobre o projeto de cidade
e de campo que queremos; f) Cultivo de místicas libertadoras; g) Solidariedade
mútua; h) Trabalho coletivo.
Assim, como resistência à violência da nova Casa
Grande, a Cidade Grande, novos “Quilombos” estão sendo construídos. Lutamos por
uma cidade que caiba todos, numa convivência multicultural. Buscamos conviver
respeitando o outro, aprendendo a admirar e amar o outro, mas de forma
diferente. Se aliando ao outro que está na horizontalidade – é diferente, mas
não oprime -, mas lutando para retirar as armas do outro que está na
verticalidade, em uma
[1] Frei e padre da Ordem dos
Carmelitas, licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR, bacharel em Teologia
pelo Instituto Teológico São Paulo, mestre em Exegese Bíblica
pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; assessor do CEBI, SAB, CEBs,
CPT e Via Campesina. Cf. www.gilvander.org.br
No facebook: Gilvander Moreira
[2] Cf. o Filme Quanto vale ou é por
quilo.
[3] Unidade de Pronto Atendimento.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Palestra da UFMG: Formação da Ocupação Eliana Silva
No dia 10 de Outubro, às 18:30, no Auditório da Escola de Arquitetura-UFMG, haverá uma palestra sobre o processo formação da ocupação Eliana Silva e como os arquitetos populares atuam nesses processos.
Thiago Castelo (Arquiteto e Urbanista)- " Panorama das politicas habitacionais x ocupação".
Poliana Ambrósio (Estudante de Arquitetura e Urbanismo) - " Arquitetura x pratica da ocupação".
Leonardo Péricles ( Coordenador da Ocupação Eliana Silva) - " Como esta a Eliana Silva hoje."
Endereço: Escola de Arquitetura da UFMG
Rua Paraíba, 697 - Funcionários - Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
Telefone: +55 (31) 3409-8801
Telefone: +55 (31) 3409-8801
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Policiais Disfarçados Filmam a Ocupação Eliana Silva
A vários dias PM vem filmando e fotografando a Ocupação Eliana Silva.
Essas filmagens vêm sendo feitas por policiais disfarçados em diversos momentos durante o dia. Geralmente esses elementos estão de moto ou de carro e assim que são vistos, fogem em alta velocidade.
Além disso, na última sexta-feira (28), descaradamente, um helicóptero da PM sobrevoou a ocupação durante cerca de 30 minutos fotografando e filmando o local.
Estamos em alerta, pois há a possibilidade da Polícia Militar estar (como fez em maio) preparando uma invasão a ocupação.
Visite a ocupação e participe dos mutirões!
Não vamos permitir que essa injustiça aconteça!!!
Somos Todos Eliana Silva - Nosso Sonho Resiste!
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Programação do Final de Semana
Programação do Final de Semana - Ajude a construir o Bairro Eliana Silva!!!
Sábado 29/09:
* Festa de Comemoração de um mês de ocupação: 20 h.
Barraquinhas,
Forró
Arrecadação de fundos para a Ocupação
Domingo 29/09:
* Culto Ecumênico: 09h;
* Mutirão de construção: das 10h ás 17h;
* Cine Eliana Silva - Filme Olga : 19h.
O filme Olga, foi baseado no livro de Fernando Morais a respeito da alemã comunista que foi mulher do líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes. A vida de Olga Benário Prestes foi digna de ser filmada. Revolucionária, amante do maior nome do comunismo no Brasil, viveu no período entre-guerras e sofreu pela sua condição de judia. Filha de uma família de classe média alemã, rompeu com a mesma para se dedicar à causa socialista, unindo-se ao governo revolucionário soviético. Olga, o filme, mostra desde sua saída de casa, ainda jovem, pela incompatibilidade com a postura da família até sua morte (sim, qualquer espectador minimamente informado sabe que ela morreu nas mãos de Hitler e seu regime nazista) numa câmara de gás em 1942.
VIVA A OCUPAÇÃO ELIANA SILVA - NOSSO SONHO RESISTE!!!!
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
MP investiga se incêndios nas favelas de São Paulo têm relação com interesse imobiliário
O Ministério Público de São Paulo investiga se a série de incêndios
ocorridos desde janeiro deste ano em favelas da capital paulista tem relação
com o interesse do setor privado ou do setor público em construir nas áreas de
entorno dessas comunidades.
Até agora, segundo a Defesa Civil municipal, foram 31 casos na cidade
--15, desde julho. O número é 30% superior ao de todo o ano de 2011, quando 24
incêndios foram registrados. Os números dos bombeiros são maiores: segundo
a corporação, a capital registrou 32 incêndios até o começo de setembro de
2012, ante 79 ocorrências durante o ano de 2011. Os bombeiros, no entanto,
contabilizam também pequenas ocorrências e comunidades com qualquer número de
domicílios.
Em entrevista ao UOL, o promotor de
Habitação e Urbanismo da capital, José Carlos de Freitas, afirmou que, “com ou
sem incêndio”, a leitura da Promotoria para os casos remete a obras públicas ou
interesse do mercado imobiliário.
Incêndios em favelas de São Paulo em 2012
“Chama atenção que os incêndios vêm acontecendo de uns bons anos para
cá, e a contagem deles aumentou neste ano”, disse. “Não podemos afirmar que
exista uma atitude orquestrada por trás disso, mas é muito preocupante que
esses incêndios aconteçam principalmente quando temos obras públicas ou áreas
nas quais o mercado imobiliário tem um interesse enorme de produzir habitação à
população de alta renda”, completou.
De acordo com o promotor, os procedimentos cíveis e criminais
instaurados pelo MP, além de ações civis públicas já propostas nos últimos
meses, apuram ainda para onde os moradores removidos em operações urbanas da
Prefeitura de São Paulo, ou por conta dos incêndios, foram encaminhados.
“Temos visto que, quando esses moradores saem das áreas atingidas, eles
não retornam para sua localidade e não há ações do poder público para garantir
que residam onde estavam residindo –que é onde essas pessoas não só moravam
como também trabalhavam ou tinham filhos em creches ou escolas, por exemplo”,
definiu o promotor. “A exceção muito grande a essa regra é o que acontece com o
Jardim Edith: ali, a construção de habitação popular dentro da operação Água
Espraiada só foi adiante porque existe ação da Defensoria Pública
acompanhada pelo MP."
Freitas é o responsável pelo inquérito civil do MP que apura o incêndio
ocorrido na última segunda-feira (3) na comunidade do Jardim Sônia Ribeiro,
conhecida como “Favela do Piolho”, no Campo Belo (zona sul). Na última nesta
quarta-feira (5), ele requereu esclarecimentos da prefeitura e do governo
estadual sobre as ações “de ordem habitacional, assistencial, de educação e
saúde no que diz respeito a essas famílias”. A estimativa é que ao menos 1.400
pessoas tenham ficado desalojadas só nessa favela.
Urbanistas contestam hipótese de “gatos”
Arquitetos urbanistas ouvidos pela reportagem também disseram estranhar
a versão oficial de que a maior parte dos incêndios em favelas paulistanas diz
respeito ao tempo seco e a ligações elétricas irregulares, os chamados “gatos”.
Foi essa a versão fornecida, por exemplo, pela Secretaria de Segurança Pública
de São Paulo (SSP-SP) e pela Defesa Civil municipal quando questionadas sobre
as principais causas dos incêndios.
Fonte: UOL
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Estado não inicia construção de casas, devolve os recursos ao Governo Federal, famílias ocupam a área
MLB essa luta é pra valer!
O próximo prefeito de Natal
terá um problema a mais para resolver.
300 famílias organizadas pelo MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e
Favelas) ocuparam no último final de semana um terreno no bairro do Planalto
que pertence à Prefeitura Municipal.
Trata-se de uma área concedida ao governo estadual para construção de 105
casas, com uma sobra de recursos do PAC Favelas, mas o prazo final
para o inicio das obras terminou em julho deste ano e, não realizado, os
recursos voltaram para o Governo Federal.
Ou seja: essas família perderam a possibilidade da
casa própria.
“Além disso, a área pública estava sendo loteada e comercializada por
aproveitadores sem nenhuma posição do poder público”, denuncia Wellington Bernardo,
líder do MLB.
Segundo o movimento, o déficit habitacional hoje na capital-potengi é de
30 mil famílias.
A ocupação é para pressionar a prefeitura a retomar o terreno e repassar
para o MLB, que se mobilizará para construir, não as 105 casas, mas 400
apartamentos.
Fonte: Tribuna do Norte – Natal- RN
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