quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Márcio Lacerda e URBEL expulsando famílias na Vila Bandeirantes

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded

Hoje, dia 04/10/2012, eu, frei Gilvander Moreira, e o vereador Adriano Ventura fizemos reunião com 12 famílias que estão ameaçadas de expulsão elo prefeito de Belo Horizonte, sr. Márcio Lacerda, e a URBEL, na Vila Bandeirantes, no Conjunto Santa Maria, ao lado do Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte, MG. Duas casas já foram destruídas pela URBEL que está pressionando o povo para abandonar as casas alegando que há uma movimentação no solo e que, por isso, a área se tornou de risco. Mas as famílias já moram na Vila Bandeirantes há 12, 15, 20, 30 anos e nunca aconteceu deslizamento lá. Inclusive uma bisavó de 100 anos mora lá há 30 anos. Agora a PBH tirou o sono inclusive dessa bisavó. A pressão da URBEL para expulsar as famílias da Vila Bandeirantes iniciou em 29/08/2012. Acontece que o Hospital Luxemburgo também está ao lado do barranco, mas segundo Deivissom, da URBEL, o Hospital não será retirado do local. Fazer um muro de arrimo é o mais justo e sensato, mas como a movimentação que de fato está acontecendo é a movimentação financeira e especulativa de empresas construtoras que querem construir no local prédios de 20 ou 30 andares. Aliás, há uma série de edifícios arranha céus ao lado, inclusive um edifício luxuoso da TIM. Além da pressão psicológica, a URBEL oferece abrigo, ou bolsa moradia ou uma indenização injusta e pífia. Denunciamos mais essa injustiça do prefeito Márcio Lacerda, o demolidor de casas de pobres em BH. Belo Horizonte, MG, Brasil, 04/10/2012.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

I Dia das Crianças da Ocupação Eliana Silva!

I Dia das Crianças da Ocupação Eliana Silva


No último domingo (14/10) foi realizado na Ocupação Eliana Silva a primeira festa de Dia das Crianças. Organizada de maneira coletiva pelos moradores, voluntários da rede de apoio e solidariedade e pelo MLB, a festa contou com diversos momentos de confraternização e nem mesmo a chuva atrapalhou a alegria das crianças.
O evento foi intensamente divulgado pelas redes sociais, e pelos apoiadores da Ocupação, que conseguiram arrecadar através de uma campanha de doações todo material necessário para realização deste dia agradável e feliz para as crianças e para toda a comunidade.
A solidariedade e o trabalho coletivo proporcionou: a arrecadação de brinquedos, materiais para lembrancinhas, elaboração das oficinas, e uma siginificativa presença no domingo durante a realização do evento que resultou em uma grande interação com as crianças.
Foram realizadas oficinas de: Dança, Desenho, Pintura Facial, Massinhas Caseiras e Balões. Além de brincadeiras, distribuição de brinquedos, lembrancinhas e lanches.
Após um dia inteiro de festividade, uma seção de cinema infantil realizada na própria creche com a exibição do filme: Formiguinhas Z, encerrou o dia.
Mais uma vez a sociedade mostra que com determinação, organização e solidariedade é possivel construir uma nova realidade para estas crianças, que participam diariamente da luta dos seus pais pelo direito á moradia digna e crescem com a certeza de que um dia viverão em um mundo melhor!
Somos Todos Eliana Silva!




segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Festival de Hip Hop em Betim tem homenagens à Ocupação Eliana Silva

Mais uma vez o pessoal do Hip Hop faz homenagem à Ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte. A nova demonstração de apoio e solidariedade veio de vários grupos, em especial, do Facção Central, que mais uma vez empunhou a camisa do MLB.

No último dia 30 de setembro, durante a 8ª edição do Hip Hop na Veia pela Vida, que acontece anualmente em Betim, que aconteceu na Praça do PTB (Viaduto do PTB/BR 381), ocorreram declarações de solidariedade á luta pela moradia. Participaram da edição do festival os seguintes grupos: Facção Central (SP);  Detentos do Rap (SP);  Sem Meia Verdade; LadoPosto; Raça DMC's;  CDR Trinca Mentes;  Ergon;  ADS; Mr Black e Convidados; Vila Rappers; Entre outros...
A arte popular da juventude da periferia dando apoio à luta pela moradia digna!

Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!

domingo, 14 de outubro de 2012

Estado cego e surdo aos clamores dos oprimidos


Gilvander Luís Moreira [1]

Uma parábola do Evangelho de Lucas narra: “Havia em uma cidade um juiz que não temia a Deus e não tinha consideração para com os homens (= os empobrecidos).
Nessa mesma cidade, existia uma viúva que vinha a ele, dizendo: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário!’” Pergunta o evangelho: “Deus não faria justiça a seus eleitos que clamam a ele dia e noite?” (Lc 18,2-3.7)
Essa parábola está acontecendo também agora no Brasil, especificamente em Belo Horizonte, MG, onde 1.900 famílias (= cerca de 10 mil pessoas) das Ocupações Camilo Torres, Dandara, Irmã Dorothy, Zilah Sposito-Helena Greco e Eliana Silva clamam por direitos humanos a partir do direito a moradia digna. Mas o Estado tem se mostrado cego e surdo aos clamores dos oprimidos que legitimamente lutam para se libertar da cruz do aluguel e da humilhação que é sobreviver de favor. Nos últimos meses desse ano são dezenas de liminares de reintegração emanadas pelo Judiciário mineiro, só na Vara Agrária de MG, em cinco dias, aproximadamente 15 liminares foram expedidas para despejar ocupações rurais.
As 350 famílias da Ocupação Eliana Silva, após serem despejadas, de forma injusta e truculenta pelo prefeito de BH (sr. Márcio Lacerda), TJMG e Governo Estadual Antonio Anastasia (com caveirão e mais de 400 policiais), sacudiram a poeira e deram a volta por cima. Durante vários dias, pouco a pouco, ocuparam outro terreno abandonado distante 1 Km da área despejada. Desta vez um empresário, com residência em São Paulo, conquistou outra Liminar de reintegração de posse. A juíza da 33ª Vara Cível autorizou o uso de força policial e, sem exigir do empresário ou do poder público nenhuma alternativa digna para as famílias, ordenou ao oficial de (In)justiça que tivesse cuidado ao “retirar” as crianças e os idosos. Será que ali existem coisas e não pessoas? Isso é autoritarismo disfarçado de altruísmo. É como o conto da barata: morde e depois assopra.
Será que não passou da hora de os juízos ao invés de mandar retirar, mandar assentar em lugar digno de ser humano morar, com todos os componentes necessários a garantir a dignidade da pessoa humana?
Em uma Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos da ALEMG[2], a Defensoria Pública do Estado de Minas e representante da Comissão dos Direitos Humanos da OAB/MG demonstraram que o empresário não comprovou ter a posse do terreno e que todos os terrenos onde estão as Ocupações Camilo Torres, Irmã Dorothy e a Nova Ocupação Eliana Silva e vários outros terrenos abandonados da região, áreas contíguas, tratam-se de terras que tinham por vocação original a construção de fábricas e indústrias a fim de cumprirem a função social econômica da cidade. Todavia, desde as décadas de 80/90 do século XX, estas terras foram paulatinamente repassadas do poder público para o particular e nunca foi construído nada em cima das terras. Nos terrenos onde se planejou (?) criar o Distrito Industrial do Vale do Jatobá, de fato, há 20 anos, vem acontecendo grilagem de terra e especulação imobiliária.
Em 1992, A CODEMIG - Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais -, empresa pública de capital misto, repassou para empresas vários terrenos alegando que seria para a criação do Distrito Industrial do Vale do Jatobá, em BH. Por preço irrisório e sem licitação as vendas foram feitas, mas com cláusula contratual que exigia a construção de empreendimento industrial para gerar emprego na região dentro de 1 ou 2 anos. Passaram-se 20 anos e nenhuma empresa construiu nada nos terrenos. As várias empresas que compraram da CODEMIG especularam e depois venderam para outras empresas, que após acumularem lucro venderam para outras empresas que, após especular mais venderam para outras empresas, que deixaram os imóveis em situação de completo abandono. Por lá especularam, inclusive, Banco Rural e Bradesco.
Enquanto isso, o déficit habitacional em Belo Horizonte está acima de 150 mil moradias. Só no primeiro dia de cadastramento para o Programa Minha Casa Minha Vida, há 3 anos atrás, 198 mil famílias se inscreveram. O prefeito Márcio Lacerda não fez nenhuma casa pelo Programa Minha Casa minha vida para famílias de zero a três salários mínimos. Pior! Inventou o Programa Minha Pedra Minha Vida, pois, com dinheiro público e usando o suor – força de trabalho – dos pobres mandou colocar pedras pontiagudas de concreto debaixo de viadutos da capital mineira para impedir que os mais 2 mil irmãos/ãs nossas que sobrevivem nas ruas de BH durmam debaixo dos viadutos.
Eis uma amostra da especulação que vem ocorrendo nesses terrenos, segundo o prof. Dr. Fábio Alves, histórico defensor dos direitos humanos dos pobres:
“O imóvel objeto da contenda judicial que envolve a Ocupação-comunidade Irmã Dorothy pertencia ao Estado de Minas Gerais, através da Companhia de Distritos Industriais, atual CODEMIG. Em dezembro de 2001 a CDI-MG – Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais - celebrou contrato com a empresa PARR PARTICIPAÇÕES LTDA, com sede em São João Nepomuceno, pelo qual o imóvel constituído pelo lote 26 – vinte e seis – do quarteirão 155 – do Bairro Jatobá – Distrito Industrial seria transferido para referida empresa, SOB A CONDIÇÃO DE, NO PRAZO DE VINTE MESES, SER REALIZADO NO LOCAL UM empreendimento industrial, gerando empregos na região. Exatos cinco meses após a celebração do referido contrato a empresa PARR Participações Ltda, contando com a anuência da CDI-MG, transfere o imóvel para o Banco Rural S/A, como dação em pagamento. Da CDI (atual CODEMIG), dita empresa adquiriu o imóvel pelo valor de R$ 121.000,00 e o repassou para o Banco Rural, cinco meses depois, por R$ 600.000,00. Mais do que 500% acima do valor pelo qual o Estado, por meio da CDI, repassou o imóvel ao particular. O encargo da implantação de um empreendimento industrial na área, outrora pública, foi remetido ao esquecimento. Assim, matreira e astutamente, um BEM PÚBLICO é transferido para o particular, sem que a sua destinação seja alcançada. Transcorridos os vinte meses estabelecidos na cláusula nada foi feito no local, e os anos se passaram desde então sem que fosse dada nenhuma destinação ao imóvel. Seis anos depois, sem que o encargo tenha sido cumprido, a mencionada CODEMIG, sucessora da CDI, permaneceu inerte. Nada fez para reverter ao patrimônio público o imóvel em questão. Pois bem, embora assentado em explícita ilegalidade, o Banco Rural S/A celebra, em 2007, Contrato Particular de Compra e Venda com a empresa TRAMMM LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA e outras pessoas físicas pelo valor de R$ 180.000,00. Três anos se passaram sem que sequer a Escritura de Compra e Venda tivesse sido providenciada. O imóvel, por mais de dez anos, restou em completo abandono. O local servia unicamente para bota-fora de resíduos sólidos. Fica o registro no fato do Banco Rural ter recebido o imóvel pelo valor de 600 mil reais e o ter prometido em venda por apenas 180 mil reais. Em fevereiro de 2010, a empresa Tramm e outras pessoas físicas, sem que proprietários fossem do imóvel, celebram Contrato de Promessa de Compra e Venda com ASACORP  EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES S/A, pelo valor de R$ 580.000,00. Também esta nova empresa sequer pôs uma estaca no local. O terreno continua, em parte sendo depósito de entulhos. Em outra parte, passou a abrigar famílias que ali foram se instalando como extensão da comunidade Camilo Torres. Dessa extensão da comunidade surgiu a Comunidade Irmã Dorothy. A ASACORP  EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES S/A ingressou, junto ao Município de Belo Horizonte, com pedido de aprovação de projeto habitacional a ser financiado pela Caixa Econômica Federal. Há de se sublinhar que a região em que se encontra o imóvel é destinada a indústria e não a residência, conforme Plano Diretor do Município de Belo Horizonte.”
Outro empresário também requereu reintegração de posse alegando que a Nova Ocupação Eliana Silva ocupou parte dos 15.800 metros2 que ele diz ter comprado da CODEMIG, mas a CODEMIG move ação judicial contra ele visando retomar o terreno porque ele não construiu nenhum empreendimento industrial no local.
O Ministério Público e a Defensoria Pública de Minas ajuizaram três Ações Civis Públicas questionando essas transferências de imóveis pela CODEMIG, mas o Judiciário mineiro ignora essas irregularidades e continua determinando o desalojamento das famílias que vivem nesses terrenos. O Governador de Minas pode e deve declarar a nulidade desses contratos. Não precisa esperar a morosidade cúmplice da (In)Justiça. Só haverá paz com justiça social quando todos os terrenos do que seria (?) o Distrito Industrial do Vale do Jatobá forem destinados para um grande programa habitacional que vise a atender famílias com renda de zero a três salários mínimos. Por isso luta o MLB[3], a Nova Ocupação Eliana Silva, Camilo Torres e Irmã Dorothy e muitos militantes. Em Audiência Pública realizada na ALEMG para apurar essas irregularidades, exigimos a criação de uma CPI[4] para apurar as ações do Estado e de empresas que especulam com terras públicas onde seria (?) o Distrito Industrial do Vale do Jatobá, em Belo Horizonte. Também de acordo com o princípio da autotutela dos atos administrativos, o Estado de Minas Gerais, tendo conhecimento do fato, já deveria ter anulado os atos eivados de vícios e que representam danos ao patrimônio público. Os bens públicos devem ser usados para o bem estar das pessoas. A dignidade da pessoa humana não é um dos fundamentos do Estado? (Art. 1º da CF/88)
Diante das câmeras da TV Assembleia, mães, com suas crianças no colo, alertaram com palavras de fogo: “Vejam aqui. Minhas filhas são de carne de osso. A Nova Ocupação Eliana Silva e o MLB são a nossa causa agora. Lá em poucos dias já construímos a Creche de alvenaria. Assim posso ir trabalhar em paz, pois sei que minhas crianças estão sendo bem cuidadas na creche. Naquele terreno abandonado construiremos nossas casas. De lá só saímos no saco preto.” “Minha filhinha, agarrada em mim, diante do paredão da tropa de choque me perguntou assustada: ‘Mãe, pra que tanta polícia? Tem bandido aqui no nosso meio?’ Tive que responder para minha filha: ‘Eles estão achando que nós somos bandidos.’ Minha filha me deu um beijo e me disse: “Mamãe, a senhora não é bandida. A senhora é trabalhadora. A senhora cuida de nós.”
Felizes os que ouvem os clamores dos oprimidos e se tornam próximos de quem clama por Justiça! Aí de quem é vassalo de um Estado cego e surdo aos gritos de mães que, por amor aos seus filhos, lutam por um elementar direito: o de morar com dignidade.
Em tempo: Por que a Imprensa não trata da questão abordada acima? “É a censura”, me dizem muitos.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 10 setembro de 2012.

Eis, abaixo, links de oito vídeos que corroboram o analisado e denunciado, acima. Os vídeos estão também em www.gilvander.org.br (Galeria de vídeos).
1)      Audiência da Ocupação Eliana Silva na ALEMG: Arquiteto desmascara Márcio Lacerda. 07/09/2012
2)      Rede de apoio à Ocupação Eliana Silva: Wiliam, das Brigadas, e Bizoca, do IHG. 07/09/2012
3)      Fila do Povo da Ocupação Eliana Silva, na ALEMG: Mães e Crianças clamam por moradia. 06/09/2012
4)      Fila do Povo da Ocupação Eliana Silva na ALEMG, em BH: Palavras de fogo. Quem ouvirá? 06/09/2012
5) Dr. Elcio Pacheco- Comissão de Direitos Humanos/OAB/MG- defende Ocupação Eliana Silva.
6)      Defensoria Pública de MG defende Ocupação Eliana Silva na ALEMG: Ilegalidades. 06/09/2012
7) Audiência na ALEMG sobre Ocupação Eliana Silva - vídeo 2: despejo? Leo do MLB. 06/09/2012
8)      Ocupação Eliana Silva em Audiência Pública: Leonardo e MLB denunciam injustiças. 05/09/2012

[1] Frei e padre carmelita, mestre em Exegese Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina, em Minas Gerais, Brasil;
[2] Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
[3] Movimento de luta nos Bairros, Vilas e Favelas. Cf. www.ocupacaoelianasilva.blospot.com
[4] Comissão Parlamentar de Inquérito.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Despejo "delicado" e "voluntário"

Provando que cara de pau não tem limite, Márcio Lacerda afirma em debate da Rede Globo que as  famílias da ocupação Eliana Silva foram despejadas "com toda delicadeza" e que as famílias saíram "voluntariamente".


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Cidade que Queremos – Comunidade Eliana Silva


Programa vai debater a ocupação da cidade pela população.

Dia 05/10/2012, sexta-feira, das 19:00h às 21:00h, acontecerá na Casa Fora do Eixo, em Belo Horizonte, um Programa Debate, para a Internet, um POSTV, sobre A Cidade que Queremos a partir da Ocupação Eliana Silva - www.ocupacaoelianasilva.blogspot.com, em Belo Horizonte, MG.

Anúncio, abaixo, com os nomes dos debatedores:
Frei Gilvander, Leonardo Péricles e Poliana de Souza

Participe e ajude a divulgar!

Nova Casa Grande e Novas Senzalas


Cidade Grande, nova Casa Grande; Periferias, novas Senzalas.

Gilvander Luís Moreira [1]

Em 1933, Gilberto Freyre revelou a estrutura colonial da empresa Brasil: Casa Grande e Senzala, aquela vivendo à custa dessa. Na e a partir da Casa Grande, o senhor de engenho manda. Na e a partir da Senzala muitos baixam a cabeça e obedecem, e, assim, são escravizados, mas uma minoria, como Zumbi e Dandara, levanta a cabeça, foge e organiza quilombos como o de Palmares. Passa-se o tempo, mudam-se os rótulos, mas a lógica e a estrutura escravocrata continuam funcionando a todo vapor. Os em-pregados de hoje, quem ganha apenas salário-mínimo são, na prática, os escravos da atualidade.[2] Sobrevivem nas periferias das regiões metropolitanas, as chamadas “cidades dormitórios”, mas, na realidade, são as novas Senzalas que movimentam a nova Casa Grande, a Cidade Grande.

Dia 30 de setembro de 2012, celebramos missa na Comunidade Santa Teresinha, em Justinópolis, Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, com a igreja lotada. Após a missa, pedi que levantasse a mão quem trabalhava em Belo Horizonte. 95% dos jovens e adultos levantaram a mão. “A que hora vocês saem de casa para ir trabalhar?”, indaguei. “Às 4,5 horas”, uns gritaram. “Às 5 horas”, disse a maioria quase em coro. “A que horas vocês chegam de volta do trabalho?Às 20:00h”, disseram uns. “Às 20:30h”, outros. “Vocês vão dormir a que hora?” “Às 11 da noite.” Outros: “À meia noite.” “Como é a viagem nos ônibus para ir trabalhar e para voltar?” “Os ônibus estão sempre superlotados. As passagens são muito caras. Demora muito a viagem. Deveria ter mais ônibus. É uma canseira danada ter que enfrentar a ida e a volta para trabalhar”, diziam todos.

Ribeirão das Neves, com 350 mil habitantes, é uma das 31 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, é a “cidade das prisões”, pois há cerca de 6 mil presos em grandes complexos penitenciários. “Basta de construir prisões aqui na nossa cidade!”, gritam os nevenses indignados.

Pedi para levantar a mão quem tinha nascido na roça, no campo. 80% dos adultos levantaram a mão. É só fazer memória das coisas boas da roça que todos brilham os olhos. Sinal de que o povo sai da roça, mas a roça não sai do povo.

Onde vocês trabalham em Belo Horizonte e o que fazem?”, perguntei. Ouvi uma lista enorme de profissões e serviços: doméstica, cuidadora de idosos, servente de construção, pedreiro, motorista, motoboy, vigia, secretária. “E o salário?” Uns ganham salário-mínimo; outros 1,5 salário; No máximo, dois salários mínimos. “Vocês têm casa própria?” Uma minoria disse que sim. A maioria sobrevive em favelas, ou na cruz do aluguel ou ainda na humilhação do sobreviver de favor em casa de parentes. Alguns disseram que trabalham em Belo Horizonte a semana toda, dormem nas ruas e voltam para casa na região metropolitana somente nos finais de semana.

Os pobres da cidade e do campo são os que constroem a cidade e o campo. O povo das ocupações urbanas da capital mineira – Comunidades Camilo Torres, Dandara, Irmã Dorothy, Zilah Sposito-Helena Greco e Eliana Silva – cerca de 1.900 famílias, exceto os desempregados e os que estão na economia informal, trabalha nas indústrias, nas empresas, no comércio, nos órgãos públicos do Estado e nas residências das classes média e alta, geralmente em trabalhos manuais, os considerados indignos para quem cursou uma faculdade. Eu conheço mulheres de ocupações urbanas sendo: a) copeiras na UFMG; b) cuidadoras de idosos no Belvedere; c) domésticas no bairro Mangabeiras – bairro mais enriquecido - em casa com 2 pessoas e 32 quartos; d) lavadeiras de ônibus; e) rejuntadoras de piso de apartamentos; f) Pedreiros, inclusive, um que, com braço quebrado, estava na ocupação Eliana Silva. Ele me disse: “Há 25 anos ajudo a construir casas e apartamentos para empresas e outras pessoas, mas não consegui ainda adquirir minha casa própria.”; g) Serventes, como o que encontrei chorando na UPA[3] de Venda Nova, em BH. Ele já caiu várias vezes de escadas, enquanto trabalhava em construções, porque há 3 anos está numa via sacra de hospital em hospital, de UPA em UPA, precisando fazer uma cirurgia do ouvido que dói constantemente e está todo purulento. Por isso ele já está surdo de um ouvido e ouvindo pouco do outro.

O grau máximo dessa violência se dá quando não se reconhece a humanidade do outro. Mais além: O projeto dominante de cidade, hoje, busca alargar cada vez mais os espaços privados e, por isso, reduz os espaços públicos. Exemplos disso não faltam. No Mangabeiras, um dos bairros nobres de Belo Horizonte, em 1 Km2 vivem folgadamente mil pessoas, enquanto no bairro, ao lado, na Serra, onde há o Complexo das favelas da Serra, em 1 Km2 sobrevivem arrochadas cerca de 40 mil pessoas, isso segundo dados do IBGE.

Nesse contexto de nova Casa Grande e novas Senzalas, enquanto o prefeito de BH, o governador de Minas e a presidenta Dilma Rousseff não construíram nenhuma casa pelo Programa Minha Casa Minha Vida para famílias de zero a três salários mínimos na capital mineira, sob a liderança de movimentos sociais populares – como as Brigadas Populares[4] e o MLB[5] - que empoderam os pobres, o povo das Ocupações urbanas de Belo Horizonte está construindo mais de 2.400 casas de alvenaria. Isso em cinco anos de luta. A Comunidade Camilo Torres, já construiu (ou está em construção) 142 casas; Dandara, mil casas; Irmã Dorothy, 137 casas; Zilah Sposito-Helena Greco, 140 casas; Novo Lagedo, cerca de 1.000 casas. Total: 2.419 casas.

E mais: não tem sido só a construção de casas, mas a construção de pessoas, de valores que contrapõem os valores da sociedade capitalista, como a colaboração, a solidariedade, o reaproveitamento, o trabalho coletivo e em mutirão, a produção de alimentos sem agrotóxicos, a troca, a amizade e o cuidado.

É luta por direitos humanos para sair da cruz do aluguel e do sobreviver de favor. Essas conquistas se tornam possíveis graças à conjugação de muitas forças vivas da sociedade, tais como: a) A construção de movimentos sociais populares idôneos e realmente comprometidos com a luta dos injustiçados; b) Organização dos pobres; c) Constituição de uma Rede de Apoio externo que aglutina as melhores forças vivas da sociedade; d) Busca incessante de conhecimento crítico; e) Clareza sobre o projeto de cidade e de campo que queremos; f) Cultivo de místicas libertadoras; g) Solidariedade mútua; h) Trabalho coletivo.

Assim, como resistência à violência da nova Casa Grande, a Cidade Grande, novos “Quilombos” estão sendo construídos. Lutamos por uma cidade que caiba todos, numa convivência multicultural. Buscamos conviver respeitando o outro, aprendendo a admirar e amar o outro, mas de forma diferente. Se aliando ao outro que está na horizontalidade – é diferente, mas não oprime -, mas lutando para retirar as armas do outro que está na verticalidade, em uma


[1] Frei e padre da Ordem dos Carmelitas, licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR, bacharel em Teologia pelo Instituto Teológico São Paulo, mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; assessor do CEBI, SAB, CEBs, CPT e Via Campesina. Cf. www.gilvander.org.br No facebook: Gilvander Moreira
[2] Cf. o Filme Quanto vale ou é por quilo.
[3] Unidade de Pronto Atendimento.
[5] [5] Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas. Cf. WWW.ocupacaoelianasilva.blogspot.com

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Palestra da UFMG: Formação da Ocupação Eliana Silva

No dia 10 de Outubro, às 18:30, no Auditório da Escola de Arquitetura-UFMG, haverá uma palestra sobre o processo formação da ocupação Eliana Silva e como os arquitetos populares atuam nesses processos.

Programação:

Thiago Castelo (Arquiteto e Urbanista)- " Panorama das politicas habitacionais x ocupação".

Poliana Ambrósio (Estudante de Arquitetura e Urbanismo) - " Arquitetura x pratica da ocupação".

Leonardo Péricles ( Coordenador da Ocupação Eliana Silva) - " Como esta a Eliana Silva hoje."

Endereço: Escola de Arquitetura da UFMG
Rua Paraíba, 697 - Funcionários - Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
Telefone: +55 (31) 3409-8801

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Policiais Disfarçados Filmam a Ocupação Eliana Silva

A vários dias PM vem filmando e fotografando a Ocupação Eliana Silva.
Essas filmagens vêm sendo feitas por policiais disfarçados em diversos momentos durante o dia. Geralmente esses elementos estão de moto ou de carro e assim que são vistos, fogem em alta velocidade.
Além disso, na última sexta-feira (28), descaradamente, um helicóptero da PM sobrevoou a ocupação durante cerca de 30 minutos fotografando e filmando o local.
Estamos em alerta, pois há a possibilidade da Polícia Militar estar (como fez em maio) preparando uma invasão a ocupação.
Visite a ocupação e participe dos mutirões!
Não vamos permitir que essa injustiça aconteça!!!
Somos Todos Eliana Silva - Nosso Sonho Resiste!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Programação do Final de Semana

Programação do Final de Semana - Ajude a construir o Bairro Eliana Silva!!!
Sábado 29/09:
* Mutirão de construção : das 8h as 18h. Trabalho voluntário!
* Festa de Comemoração de um mês de ocupação: 20 h.
 Barraquinhas,
 Forró
 Arrecadação de fundos para a Ocupação
Domingo 29/09:          
* Culto Ecumênico: 09h;
* Mutirão de construção: das 10h ás 17h;
* Cine Eliana Silva - Filme Olga : 19h.
O filme Olga, foi baseado no livro de Fernando Morais a respeito da alemã comunista que foi mulher do líder comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes. A vida de Olga Benário Prestes foi digna de ser filmada. Revolucionária, amante do maior nome do comunismo no Brasil, viveu no período entre-guerras e sofreu pela sua condição de judia. Filha de uma família de classe média alemã, rompeu com a mesma para se dedicar à causa socialista, unindo-se ao governo revolucionário soviético. Olga, o filme, mostra desde sua saída de casa, ainda jovem, pela incompatibilidade com a postura da família até sua morte (sim, qualquer espectador minimamente informado sabe que ela morreu nas mãos de Hitler e seu regime nazista) numa câmara de gás em 1942.

 
VIVA A OCUPAÇÃO ELIANA SILVA - NOSSO SONHO RESISTE!!!!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MP investiga se incêndios nas favelas de São Paulo têm relação com interesse imobiliário

21.set.2012 - Moradores da favela do Moinho, localizada na região central
de São Paulo, bloquearam uma das entradas da comunidade,após confronto
com agentes da Guarda Civil Metropolitana. O efetivo da GCM que está
no local desde o incêndio que destruiu 80 barracos da favela tentou
impedir  que moradores reconstruíssem as moradiasno local
Nelson Antoine/Fotoarena/AE

O Ministério Público de São Paulo investiga se a série de incêndios ocorridos desde janeiro deste ano em favelas da capital paulista tem relação com o interesse do setor privado ou do setor público em construir nas áreas de entorno dessas comunidades.

Até agora, segundo a Defesa Civil municipal, foram 31 casos na cidade --15, desde julho. O número é 30% superior ao de todo o ano de 2011, quando 24 incêndios foram registrados. Os números dos bombeiros são maiores: segundo a corporação, a capital registrou 32 incêndios até o começo de setembro de 2012, ante 79 ocorrências durante o ano de 2011. Os bombeiros, no entanto, contabilizam também pequenas ocorrências e comunidades com qualquer número de domicílios.

Em entrevista ao UOL, o promotor de Habitação e Urbanismo da capital, José Carlos de Freitas, afirmou que, “com ou sem incêndio”, a leitura da Promotoria para os casos remete a obras públicas ou interesse do mercado imobiliário.


Incêndios em favelas de São Paulo em 2012
“Chama atenção que os incêndios vêm acontecendo de uns bons anos para cá, e a contagem deles aumentou neste ano”, disse. “Não podemos afirmar que exista uma atitude orquestrada por trás disso, mas é muito preocupante que esses incêndios aconteçam principalmente quando temos obras públicas ou áreas nas quais o mercado imobiliário tem um interesse enorme de produzir habitação à população de alta renda”, completou.

De acordo com o promotor, os procedimentos cíveis e criminais instaurados pelo MP, além de ações civis públicas já propostas nos últimos meses, apuram ainda para onde os moradores removidos em operações urbanas da Prefeitura de São Paulo, ou por conta dos incêndios, foram encaminhados.

“Temos visto que, quando esses moradores saem das áreas atingidas, eles não retornam para sua localidade e não há ações do poder público para garantir que residam onde estavam residindo –que é onde essas pessoas não só moravam como também trabalhavam ou tinham filhos em creches ou escolas, por exemplo”, definiu o promotor. “A exceção muito grande a essa regra é o que acontece com o Jardim Edith: ali, a construção de habitação popular dentro da operação Água Espraiada só foi adiante porque existe ação da Defensoria Pública  acompanhada pelo MP."

Freitas é o responsável pelo inquérito civil do MP que apura o incêndio ocorrido na última segunda-feira (3) na comunidade do Jardim Sônia Ribeiro, conhecida como “Favela do Piolho”, no Campo Belo (zona sul). Na última nesta quarta-feira (5), ele requereu esclarecimentos da prefeitura e do governo estadual sobre as ações “de ordem habitacional, assistencial, de educação e saúde no que diz respeito a essas famílias”. A estimativa é que ao menos 1.400 pessoas tenham ficado desalojadas só nessa favela.

Urbanistas contestam hipótese de “gatos”
Arquitetos urbanistas ouvidos pela reportagem também disseram estranhar a versão oficial de que a maior parte dos incêndios em favelas paulistanas diz respeito ao tempo seco e a ligações elétricas irregulares, os chamados “gatos”. Foi essa a versão fornecida, por exemplo, pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e pela Defesa Civil municipal quando questionadas sobre as principais causas dos incêndios.

Fonte: UOL

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estado não inicia construção de casas, devolve os recursos ao Governo Federal, famílias ocupam a área


MLB essa luta é pra valer!

O próximo prefeito de Natal terá um problema a mais para resolver.
300 famílias organizadas pelo MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) ocuparam no último final de semana um terreno no bairro do Planalto que pertence à Prefeitura Municipal.
Trata-se de uma área concedida ao governo estadual para construção de 105 casas, com uma sobra de recursos do PAC Favelas, mas  o prazo final para o inicio das obras terminou em julho deste ano e, não realizado, os recursos voltaram para o Governo Federal.
Ou seja: essas família perderam a possibilidade da casa própria.
“Além disso, a área pública estava sendo loteada e comercializada por aproveitadores sem nenhuma posição do poder público”, denuncia Wellington Bernardo, líder do MLB.
Segundo o movimento, o déficit habitacional hoje na capital-potengi é de 30 mil famílias.
A ocupação é para pressionar a prefeitura a retomar o terreno e repassar para o MLB, que se mobilizará para construir, não as 105 casas, mas 400 apartamentos.

Fonte: Tribuna do Norte – Natal- RN